Discutível Perfeição: RENDIÇÃO

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terça-feira, 20 de novembro de 2018

RENDIÇÃO


- Eu não mereço isso! – disse enquanto tirava a aliança e colocava sobre o criado mudo, a essa altura não tinha mais forças para brigar.

- Você não merece isso? Não! Não acredito que estou ouvindo isso! Por que casou comigo então? Se não sou o que você merece! Poupe-me de ouvir essas besteiras! – gritou e saiu pela porta do nosso quarto.

Depois de ter ouvido tudo aquilo minha reação foi ir em direção ao armário. Peguei minha mala e comecei a colocar minhas roupas nela, contudo as lágrimas me cegaram e as palavras que ele pronunciou ainda escoavam em meus ouvidos. Por que terminar dessa forma? Eu ainda o amo! Isso não é suficiente? Quando nosso casamento começou a ruir? Não encontrei as respostas para essas perguntas, tampouco consegui parar de chorar. A noite se seguiu assim, enquanto arrumava minha mala, as lágrimas não me abandonaram.

- Você vai embora? – perguntou com uma voz calma, mas com uma pitada de preocupação.

Isso me assustou, mas não me virei para enfrentá-lo - Vou! Você não me deixou escolha! – respondi com a voz esganiçada.

- E se...

- E se o que? Você já deixou claro que não me ama mais! – proferi algo que guardava há algum tempo e pela primeira vez em cinco anos me senti livre por dizer a verdade.

- Quando começamos a nos odiar? – perguntou em um tom de choro.

Virei-me para encará-lo e me deparei com uma cena da qual nunca havia visto antes, ele estava chorando – Quem disse que te odeio? – perguntei.

- Quem disse que deixei de te amar?

Não consegui encontrar minha voz para responder aquela pergunta, só consegui chorar. Ele cruzou o quarto e foi até onde eu estava.

- Não consigo definir minha vida sem você! Sinceramente acreditei que poderia, mas quando te vi arrumar as malas... Não vá! Perdoe-me... Tenho sido um idiota, não é tua culpa. Você vive se preocupando comigo e eu só tenho lhe tratado da pior forma possível... – disse entre lágrimas.

- Eu nunca te odiei... – falei entre soluços, mas antes que pudesse terminar ele bloqueou os meus lábios com o dedo indicador.

- Hey... Vamos parar de falar... Chega! As palavras nos feriram muito, talvez fosse melhor evitá-las! – propôs e tirou seu dedo da minha boca para colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

- Ok! – concordei.

Ele sorriu um sorriso torto, algo que não via já há algum tempo e antes que mais alguma palavra fosse dita, me beijou, fui pega de surpresa, não era algo que esperava, mas gostei. Naquela manhã não dissemos mais nenhuma palavra, apenas nos comunicamos por olhares. Tínhamos dito muitas coisas que nos afastaram na noite anterior, mas agora tudo não passava apenas de um passado bem distante e era assim que tudo ficaria, passado no passado, presente no presente e futuro no futuro.

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