Discutível Perfeição: DECISÃO

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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

DECISÃO


Meus olhos abriram-se com tamanha preguiça, abraçada ao edredom rolei para o outro lado da cama. Não estava com vontade de levantar, todavia, era preciso. As responsabilidades me gritavam, tentei ignorá-las, mas não tive sucesso. Suspirei ao focar meus olhos na janela, ainda estava nublado. Então, num ato programado, rolei novamente para a beirada da cama e tão logo coloquei meus pés em contato com o chão gélido caminhei lentamente até a janela, abri as cortinas e encarei o dia cinzento. Permaneci ali por alguns minutos, mas logo dei as costas para a vidraça e segui rumo à cozinha, precisava de uma boa dose de café.

Durante o trajeto, me deparei com o relógio na parede. Por alguma razão desconhecida, me forcei a brecar. Observei com uma atenção fora do comum os ponteiros viajarem, me perguntei algumas vezes por que estava ali, contudo não encontrei uma resposta plausível. Minha mente começou a divagar, os ponteiros congelaram, lembranças açucaradas me inundaram. Um sorriso tolo se pintou em meus lábios, relembrei detalhes dos quais havia esquecido. De repente a campainha tocou, isso me fez dar um pulo. Ainda meio desnorteada, marchei até a porta e com certa má vontade coloquei a mão no trinco, girei a chave no tambor e torci a maçaneta. Abri a porta, mas não esperava ver o que vi.

- Você? - questionei.

- Quem mais seria? - inquiriu com certo azedume em seu tom.

- Olha, não temos mais nada pra dizer... Acabou, já entendi... - explanei.

- Será que posso entrar? - pesquisou.

- Ok... – autorizei com uma voz de mau humor.

Rapidamente adentrou e parou no centro da sala.

- O que você quer? - indaguei.

Expirou - Ainda me lembro como se fosse ontem do dia em que nos conhecemos, você sempre desatenta... – afirmou, seus olhos estavam desfocados, um sorriso brincou em seus lábios, no entanto durou apenas segundos - Fui um idiota, não deveria ter lhe dito aquelas coisas... Talvez devesse ter percebido antes, mas o caso é que não percebi, ou talvez não quisesse perceber... Estou loucamente apaixonado por ti... Confesso que lutei contra esse sentimento o máximo que pude, todavia não consegui evitar... - desabafou.

- O que você espera que eu diga? Sim! Porque tu me disseste coisas absurdas... Não posso simplesmente apagar da memória tuas palavras... - expliquei.

- Talvez... - iniciou, mas logo se calou.

- Não existe talvez... Como posso acreditar que serás meu porto seguro? – inquiri.

- O destino brincou com nossas vidas... Estamos, querendo ou não, ligados por uma fina linha e a decisão de cortá-la é apenas tua... Não vejo minha vida sem ti... Eu errei! Reconheço que errei e estou aqui para lhe pedir perdão... Me perdoa? – requereu.

- Minha pretensão é te colocar pra fora a pontapés... – suspirei – Mas, não farei isso... – afirmei.

- Por quê? – investigou.

- Talvez esteja cometendo o maior erro da minha vida se o fizer... Suas palavras me feriram, entretanto, é tarde demais para fugir... Estou ligada a você, não tenho mais o controle dos meus sentimentos... A verdade é que te amo... – confessei.

Nesse instante, ele saiu do meio da sala e veio em minha direção. Não tive tempo de reagir, segurou meu rosto entre suas mãos e quando percebi, já estávamos nos beijando loucamente. Era a primeira vez que nos beijávamos, estava totalmente perdida, ou talvez não, porque naquela manhã começamos a escrever nossa história.

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