Discutível Perfeição: A CAIXINHA

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A CAIXINHA


Por que tínhamos que nos mudar? Perguntava para mim mesma pela centésima vez. Não queria me mudar, amo esta cidade, amo meus amigos, amo a minha vida! Simplesmente é uma ideia inaceitável! Mas como minha opinião não conta muito, tenho que aceitar mesmo não gostando nem um pouquinho. Também odiava ter que encaixotar tudo, tenho certeza que vou ficar como uma barata tonta tentando achar minhas coisas pelos próximos três meses. Acho que foi para tentar evitar meu sofrimento, não sou nem um pouco masoquista, que disse para minha mãe que eu mesma arrumaria e empacotaria tudo. Contudo essa ideia já não era tão boa assim, não conseguia ver mais a minha própria cama. Realmente o meu quarto estava um caos!

Enquanto retirava minhas roupas do armário me deparei com uma caixinha que há muito tempo não via, estava escondida atrás das minhas roupas de inverno, as quais raramente usava. Sentei-me no chão, em meio ao caos e a retirei de dentro do guarda-roupa. Fiquei olhando para aquela pequena caixa em minhas mãos e lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, saiba que abri-la seria como desenterrar o passado, mas mesmo assim a abri. Por alguns segundo meus olhos fitaram o conteúdo da tal caixinha, levei minha mão para retirar um monte de fotos de amigos, cartas, papéis de bombons, cartões postais de lugares desconhecidos, uma fita vermelha, folhetos de lugares conhecidos... Coisas que traziam as mais doces recordações de momentos que nunca mais voltariam. Enquanto me lembrava de cada doce ocasião que a vida me deu, senti um aperto no meu peito, algo que nunca tinha sentido antes. Talvez não fosse uma boa ideia ter aberto essa caixa, mas se não a abrisse nunca lembraria que já fui feliz. Aquela dor estava me incomodando, por que estou me sentindo assim? Abracei-me para tentar fazer aquela dor desconhecida passar, mas ela continuou lá. Olhei novamente para aquela caixinha que trazia tantas lembranças e um papel dobrado de cor amarelada me chamou a atenção, instantaneamente levei minha mão para pega-lo. O analisei cuidadosamente e a curiosidade me inundou, hesitei, mas o abri. Li atentamente aqueles versos que diziam:

“Um dia em tua vida...
Você se lembrará deste lugar...
Das pessoas que um dia você conheceu...
Tudo vai estar diferente do que era...
E então um aperto em teu peito vai te fazer chorar...
E você saberá que tudo foi real...
Por que esse aperto é o sentimento mais puro que alguém pode sentir...
Saudade...
É esse sentimento que te faz chorar!”

Meus lábios se transformaram em um sorriso, finalmente entendi o que estava sentindo, mas mais do que isso, sabia que tudo tinha sido real. A dor continuou ali, mas agora não me incomodava mais.

Imagem: Sonia Bifulco Découpage

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