Discutível Perfeição: DESCOBERTA

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

DESCOBERTA


Eu não podia me sentir assim, aliás, não deveria. Agora estava a uma quadra de casa, mas para mim pareciam quilômetros. Finalmente cheguei, abri a porta e em questão de segundos já estava na porta do meu quarto, minha ilha, aqui poderia colocar minhas ideias em ordem. Joguei minha bolsa sobre a escrivaninha e me atirei na cama. Não demorou nada para que as lágrimas banhassem meu rosto.

Não queria mais pensar nele, mas parecia impossível, não iria admitir nada. Porque ele tinha que ter feito aquilo? Nós não poderíamos ter continuado apenas amigos? Mas não, ele decidiu se declarar, perfeito! Como se eu precisasse saber disso agora.

Ele é o meu melhor amigo, meu confidente, isso não foi nada justo. Ok, ele é bonito, tem um sorriso perfeito, um humor surpreendente, sempre bem disposto, tem solução pra tudo, é sempre tão sincero, às vezes até demais, me compreende como nenhum outro garoto. Ele vê através dos meus olhos e sabe muito mais de mim do que eu mesma sei, para, para, para! Será que não posso odiá-lo? O conheço como a palma da minha mão, os defeitos, as qualidades, tudo e mesmo assim não consigo abominá-lo?

Tudo que me disse hoje foi muito inesperado e ao mesmo tempo tão doce. Depois que me contou tudo àquilo, minha reação foi a mais esdrúxula possível, eu fugi. Não respondi nenhuma de suas perguntas, apenas levantei, sai daquele lugar e vim correndo para casa. Esperei que ele viesse atrás de mim, mas não o fez. Ele me conhece o suficiente para saber qual seria a minha reação. Contudo, as palavras dele faziam tanto sentido agora, mas não iria admitir.

- Aaaahhhh... – gritei e afundei meu rosto no travesseiro.

Na minha mente as memórias pareciam reais e límpidas como um rio de água cristalina. Tudo que nós compartilhamos, cada sorriso, cada toque, cada olhar, cada mico, cada acidente. Sim! Sou um desastre ambulante, não consigo viver um dia sem causar algum estrago; enfim, cada segundo que passamos juntos. Foram os dez meses mais loucos e perfeitos da minha vida.

Não queria, mas teria que admitir, me apaixonei pelo meu melhor amigo. Não havia ansiado por isso, tampouco esperei que isso ocorresse, mas aconteceu e eu tinha estragado tudo. Odiei-me ainda mais por ter sido tão idiota, como não havia descoberto isso antes?

Não queria mais pensar em nada e obedecendo ao impulso, fui até o meu micro system peguei meu CD de rock favorito e o coloquei pra tocar. Quando o CD estava repetindo pela terceira vez a quarta faixa o meu celular tocou, sabia perfeitamente quem era. Então pulei da cama e fui até a escrivaninha, abri minha bolsa como uma louca, peguei meu telefone e atendi.

- Alô? – minha voz estava cheia de culpa e esperança.

- Oi, sou eu... Ah, eu só queria saber se você estava bem.

- Eu não estou nada bem! – respondi.

- Ah... Acho que não devia ter ligado... – disse com uma voz triste.

- Não! Ah... Você fez bem em ligar, preciso falar com você e tem que ser agora. Você pode vir aqui em casa?

- Ah... Posso. Chego ai em 15 minutos.

- Ok! Estou te esperando.

Assim que ele desligou fechei meu celular e o atirei na cama, corri até o meu banheiro para ver como eu estava e minha análise concluiu que eu estava um lixo, decidi tomar um banho. Quando terminei, sai e fui até meu guarda-roupa procurar por alguma roupa leve e descente; encontrei um vestido que já não usava há muito tempo, mas parecia se encaixar perfeitamente.

A campainha tocou, um calafrio percorreu minha espinha. Caminhei em direção a porta e logo que a abri vi pela primeira vez o meu amigo com outros olhos. Como pude ter negligenciado tanto as evidencias?

- Hey! – disse com um tímido sorriso.

- Oi! – respondeu.

- Você não quer entrar? – ofereci.

- Claro! – aceitou e entrou.

Fechei a porta atrás de nós. Ele já estava próximo ao sofá quando comecei a falar.

- Primeiro, quero te pedir desculpas por ser uma burra, idiota e ignorante. Segundo, aquilo que você me disse foi realmente perfeito, ninguém nunca me disse nada parecido. Terceiro, descobri que também estou apaixonada por você.

Fiquei esperando que me dissesse algo ou fizesse alguma coisa, mas ele não teve nenhuma reação, tampouco disse alguma palavra. Isso começou a me irritar.

- Você ouviu o que eu te disse? - questionei.

Nada ainda, ele continuava parecendo uma vaquinha de presépio. Comecei a respirar fundo, pois minha raiva estava atingindo níveis perigosos. Foi então que finalmente me olhou nos olhos e sorriu travessamente.

- Você fica muito sexy quando esta com raiva, sabia?

Enquanto me preparava para dar uma resposta mal criada ele saiu de perto do sofá e veio em minha direção. Não tive tempo para reagir, ele segurou meu rosto entre as suas mãos e quando percebi, já estávamos nos beijando loucamente. Durante os momentos seguintes nenhuma palavra foi dita, nos comunicamos apenas por olhares. Entregamos-nos como nunca havíamos feito antes e não estava mais me sentindo culpada, antes pelo contrário estava em um estado de alegria inexplicável. Queria que essa noite fosse eterna... Por que não descobri isso antes?

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