Discutível Perfeição: Setembro 2018

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sábado, 29 de setembro de 2018

MEU SOL


Mais um dia sem sol! Lamentei ao olhar pela janela do meu quarto, sinto falta do calor e da luz do sol. Aliás, não é só disso que sinto falta. Rolei na cama, sinceramente não queria levantar, mas não era uma questão de querer. Rolei de volta para a beirada da cama, coloquei meus pés no chão gelado e levantei. Fui em direção a janela e fechei as cortinas, já que não há sol não quero ver esse dia triste, pensei. Sai dali e fui até o meu armário, procurei por uma roupa que demonstrasse o que exatamente estava sentindo. Depois de uma boa busca encontrei um belo vestido, simples e discreto. Enquanto me arrumava deixei minha mente livre, desejei que meu dia de trabalho fosse tranqüilo. Bem, estava tentando me convencer com essa grande mentira, mas no fundo sabia exatamente o que estava me esperando. Quando terminei de me aprontar sai do quarto, mas sabia que maquiagem nenhuma poderia disfarçar minha tristeza. Qualquer pessoa que me olhasse a notaria. Contudo ninguém sabia exatamente o porquê, sempre fui boa em guardar segredos. Assim que entrei na cozinha, peguei a chaleira para preparar meu café. Quando terminei de coar, enchi uma xícara pra mim e segui até a janela da sala, fiquei observando aquele dia cinzento. De repente a campainha tocou, isso me assustou. Quem será? Estranho, o porteiro não interfonou. Confusa sai dali e segui até a porta, no caminho deixei minha xícara de café em cima da mesa. Assim que coloquei a mão no trinco, respirei fundo, girei a chave no tambor e torci a maçaneta. Como em câmera lenta abri a porta, mas não esperava ver o que meus olhos viram. Será que estou sonhando?

- Júlia? – perguntou com um tom de preocupação. Isso me fez perceber que não era sonho, mas a realidade.

Meus lábios logo se contorceram em um grande sorriso e me joguei em seus braços – Senti tua falta! – declarei enquanto lágrimas de felicidade corriam pelo meu rosto.

Ele segurou meu rosto entre as suas grandes mãos, seus olhos cor de amêndoas brilhavam tanto e seus lábios se transformaram naquele belo sorriso. Antes que pudesse dizer algo, ele aproximou seu rosto do meu e sussurrou em meu ouvido – Como senti falta de ti! – disse docemente e depois colocou sua testa na minha. Fiquei na ponta dos pés para alcançar aqueles belos lábios e no momento que os toquei uma corrente elétrica passou pelo meu corpo. Não sei exatamente como entrei outra vez no apartamento, só notei que já estava lá quando ouvi a porta bater. Nem preciso dizer que a alegria me invadiu e apesar do dia estar nublado, para mim o dia estava ensolarado.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ÂNGULO DISTINTO


A luz do sol clareou o quarto e a brisa da manhã fez um arrepio correr pelo meu corpo. Abri os olhos e observei a cortina dançar ao ritmo do vento, um sorriso bobo brotou em meus lábios. Rolei para a beirada da cama e pus meus pés no chão frio. Segui até a janela, abri as cortinas e saudei o lindo dia de sol. Observei dali que nada havia mudado, tudo continuava da mesma maneira. Todavia algo estava diferente, era como se o tempo estivesse parado, mas não para mim. Estranho, porém sabia muito bem que não poderia mais ignorar a mudança, agora ela era quase palpável. Por que demorei tanto pra perceber isso? Sorri com meus pensamentos bobos, afinal sabia exatamente o que estava diferente.

Sai dali e fui até meu micro system, procurei em uma pilha de CDs por um em especial. Depois de derribar meu acervo, encontrei o que procurava. Liguei meu aparelho de som, pus o CD e apertei o play. A música se espalhou pelo quarto, instintivamente comecei a rodopiar e cantar como uma adolescente. Uma alegria descomunal tomou conta do meu ser, soube nesse exato momento que apesar de ter crescido e amadurecido não deixei de ser quem realmente sou. Passei apenas a olhar a vida por um ângulo distinto.

terça-feira, 25 de setembro de 2018


Deitada na minha cama observava a escuridão, era apenas mais uma noite de insônia. As palavras ainda ecoavam em minha mente. Lágrimas corriam pelo meu rosto, era um choro amargo. Por que você não consegue me amar? Quando me tornei o problema nessa equação? Para todas essas questões haviam respostas, mas embasadas em julgamentos errados. Apoiei meu queixo nos meus joelhos e meus braços envolveram minhas pernas, era apenas mais uma tentativa de acalmar a dor. Coração destroçado, esperanças moídas. Há algum tempo venho colecionando olhares de pena, como se me fosse necessário. A minha volta só existiam pessoas que sentiam pena de mim, mas não me via como sendo uma senhorita digna de pena. Afinal, não estava cometendo erros. É tão difícil entender que nunca serei como eles querem que eu seja? Não posso me anular, não mais. Tenho opiniões, sonhos, desejos, mas não devo levá-los em conta? Então, porque me ensinaram a pensar? Sorri ao perceber que estava vivendo sob uma regra absurda: “Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço!”. Porém, agora não sou mais a mesma. Tenho consciência de que não será nada fácil, mas não posso desistir. Não quero batalhar, no entanto não há escolha. Levantei-me dali, acendi a luz e fui até a janela. A noite era escura, nuvens pesadas de chuva bloqueavam o brilho das estrelas. Todavia sabia que elas estavam lá, assim é minha batalha, não vejo a vitória, mas sei que ela existe.

domingo, 23 de setembro de 2018

ENFADADA


Enfadada desse lugar...
Enfadada de suas palavras...
Enfadada das lembranças...
Enfadada dessa agonia...
Enfadada de me encarar no espelho...
Enfadada de viver solitariamente...
Enfadada de tentar adequar minha vida a tua...
Portanto...
Não me pergunte como me sinto...
Apenas olhe nos meus olhos...
O jogo acabou!
Estou indo embora...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MUTILADA


Oca, é assim que estou. Enterrei todo e qualquer sentimento, me tornei fria. Não sinto dores, tampouco raiva. As pessoas a minha volta nem imaginam o quanto estou ferida, todos apenas dizem que devo seguir em frente. Mas, aonde posso ir? O mundo está totalmente adormecido, imploro apenas para que meu coração esteja inteiro. Estou mentindo para mim mesma, sinto tanto tua falta, contudo não posso ignorar os fatos. Não posso caminhar contigo, está na hora de encarar este mundo sozinha. Sinto muito!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

AUTOCRACIA


Roupas emboladas ao chão, sapatos jogados, lingerie ao pé da cama. Caos, esse era o atual estado do quarto. Meus olhos fitavam a bagunça, enquanto opiniões invadiam minha mente. Ao meu lado dormia a pessoa mais admirável que já conhecera; sua expressão tranquila, insuspeita. Senti-me mal pelo que estava prestes a fazer, todavia seria o melhor para nós no momento. Respirei fundo, enchendo os pulmões com coragem. Então, me levantei com todo cuidado, não queria acordá-lo. Caminhei lentamente pelo quarto, procurei pelas minhas roupas e as vesti com destreza. Os sapatos já estavam seguros entre os dedos da mão direita, enquanto a mão esquerda agarrava a bolsa. Elevei os olhos e vislumbrei o ambiente, uma lágrima escapou pelo canto e escorreu por minha face. Expirei, contudo não voltei atrás, a decisão já foi tomada. Agarrei a maçaneta com determinação, a torci com cuidado para não fazer barulho, pude ouvir a lingüeta recolher. Sem demora, abri a porta e sai sem olhar para trás.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

INFERNO


O silêncio é ensurdecedor dentro desse quarto, meu único desejo é cobrir as paredes com gritos. Tentei apagar as sombras do seu nome espalhadas pelo meu corpo, mas ainda não consigo contabilizar a quantidade de lágrimas que deslizam pelo meu rosto. Está cada vez mais difícil respirar e eu só me pergunto o porquê de tudo isso.

Nós destruímos nossa amizade por conta do orgulho, não conseguimos ser sinceros um com o outro e agora estamos quebrados, emanando culpa, ódio e dor. O relógio anda ao contrario e tudo o que temos feito nos tem levado mais e mais para uma miséria infernal.

Sinto sua falta todos os minutos dos meus malditos dias, tantas palavras não ditas, perdidas em meio ao momento. O pânico e a dor me consomem feito vermes enquanto vasculho a minha mente a procura de alguma migalha de lucidez, entretanto tudo o que tenho conseguido é mergulhar mais fundo na loucura.

O despertador tocou freneticamente, espantando o silêncio. Então levantei e me forcei a fazer a única coisa que poderia; tentei viver outro dia no inferno.

sábado, 15 de setembro de 2018

LUA NOVA


Era uma noite fria de outono e estava debruçada na janela fitando com tamanha atenção a lua submergir no céu estrelado. Uma lágrima silenciosa beijava minha epiderme, enquanto os lábios se transformavam em uma fina linha. Convencia-me a cada novo segundo de que tudo acontecera pela eficácia do destino, o qual estou ligada por tênues linhas. Não pude evitar os acontecimentos, tampouco fugir do sentimento que me invadiu, agora, sou refém de um anseio que nem eu mesma conheço e isso me assustava.

Fechei os olhos e desejei-te ao meu lado esta noite, contudo sabia que isso nunca aconteceria. Nesse instante uma brisa resfriou o rastro deixado pela gotícula salgada, bagunçou os fios de cabelo e sussurrou em meus ouvidos uma bela sinfonia. Instantaneamente, um sorriso foi maquiado em meu rosto. “Uma gata borralheira jamais teria a honra de ter um belo príncipe fazendo-lhe companhia!” Pensei e com as costas da mão removi as gotinhas que iniciavam sua viagem por minha face, em seguida abri os olhos e encarei novamente a noite fria. A lua não retornara, tampouco a dor que me amofinava cessara. Suspirei, novamente no escuro, conclui depois de alguns minutos. Então, fechei a janela e caminhei a passos preguiçosos rumo a cama, me atirei nela e deixei que a inconsciência me levasse para um mundo onde a dor não me incomodaria.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

DESPEDIDA FORÇADA


- Agora é só uma questão de tempo. Sinto muito! – o médico deu a pior notícia. Era tudo que ela não queria ouvir.

- Tudo bem doutor. Obrigada! – mentiu. Nada estava bem, a pessoa que ela mais ama iria partir e ninguém podia fazer nada para impedir.

Respirou fundo e voltou para o quarto onde seu marido estava e sentou ao lado de sua cama. Ele levantou a mão e ela a segurou firme. Havia chegado a hora, mas ela se recusava em dizer adeus.

- Querida? – perguntou o rapaz.

- Estou aqui! – respondeu e apertou a mão dele.

Ele virou o rosto para olhá-la nos olhos já sem brilho, tentou sorrir, mas um desejo de chorar invadiu-lhe. Ele também não queria despedir-se, mas não era mais a sua vontade que imperava. Suspirou e deixou que uma onda de coragem lhe dominasse.

- Eu amo você, sempre amei e sempre vou amar... Desde o primeiro momento que te vi soube que era você e sempre será... Obrigado por trazer vida aos meus dias nublados – abriu novamente seus olhos.

- Eu te amo, não quero que você vá – disse entre lágrimas.

- Prometa-me algo?

- Qualquer coisa!

- Você promete ser feliz?

- Prometo! – disse em soluços.

Ele sussurrou – Eu amo você! – as palavras saíram sem som, mas ela ouviu.

- Amo você! – disse e o beijou pela última vez.

Ele sorriu e então partiu. Ela permaneceu ali, chorando.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

MADRUGADA


Virei outra vez na cama, era apenas mais uma tentativa de encontrar uma posição confortável. Tentei de todas as maneiras pegar no sono, mas nenhuma bem sucedida. Meus pés roçavam o lençol já amarrotado, enquanto os olhos encaravam a escuridão. Minha mente pousou em meio a lembranças que estava me esforçando para esquecer, porém todo o empenho havia sido vão. Agora, estava entregue a nostalgia do momento. De repente a campainha tocou, lancei um olhar para o relógio, eram três e meia da manhã. Quem será? Indaguei, contudo não consegui pensar racionalmente. Quando dei por mim, já estava a caminho da porta. Fiz uma pausa para acender a luz do corredor, mas tão logo já estava em movimento outra vez. Minha mão voou na maçaneta, torci a chave no tambor e ouvi o barulho oco da tranca recolhendo. Respirei intensamente, fechei os olhos por segundos. A campainha soou novamente, abri os olhos de pronto e finalmente girei a maçaneta. A porta moveu-se lentamente para fora da minha visão e nesse instante um arrepio percorreu minha espinha.

- Você o aqui que fazendo? – questionei confusamente.

Seus lábios se contorceram em um lindo sorriso – Ah?! O que você disse? – investigou divertidamente.

- O que você está fazendo aqui há essa hora? Você não tem relógio? – declarei irritada.

- Relógio... Bem, isso eu tenho... Agora... Não conseguiria esperar pra fazer isso... – explicou e antes que pudesse retrucar, seus lábios bloquearam os meus.

Minhas emoções estavam em uma montanha russa, todavia me entreguei ao beijo. Seus lábios moviam-se em sintonia aos meus, suas mãos acariciavam minhas costas, enquanto minhas mãos amimavam timidamente sua nuca. Pude sentir sua respiração em minhas bochechas, o ar quente que saia de seus pulmões provocou uma onda de arrepios. Um desejo aflorou, mas o contive. Durante alguns minutos nos perdemos entre o real e o fantasioso. Entretanto, seus lábios desbloquearam os meus, confesso que cedo demais e então o encarei com olhos confusos.

- Você sabe quanto tempo estive debatendo comigo se deveria vir aqui ou não? – perguntou.

- Não! – disse e revirei os olhos – Gabriel... Por favor... Fale coisa com coisa... – implorei.

- Desculpe! Vou alinhar meus pensamentos... – infirmou.

- Alinhar seus pensamentos? – averigüei irritada – Você veio até a minha casa a essa hora... Me beija e depois diz que precisa alinhar seus pensamentos! Gabriel! Por obséquio! Diga algo que faça sentido... – desabafei.

- Não quero ficar mais um minuto longe de você... Ana... Eu amo você! – expos.

- Ah!? O que? – questionei confusamente.

- Você ainda não percebeu que me apaixonei por você? – disse risonhamente – Que ironia... O seu melhor amigo apaixonado por você! – confessou.

- Espera... Você está me dizendo que se apaixonou por mim? – parafraseei.

- É! – concordou.

- Ok! Preciso me sentar... – disse e me dirigi até o sofá.

- Céus! Ana... Eu venho aqui e me declaro e quando fico esperando por uma resposta positiva ou simplesmente um toco... Você me diz que precisa se sentar! – afirmou insatisfeito.

Respirei fundo por umas duas vezes – Sabe qual é o seu problema Gabriel? Nunca consigo te entender... Você é tão confuso, irritante, surpreendente, charmoso, sexy, carinhoso, amável... Talvez pudesse contar-lhe sobre cada coisa que admiro em você... Mas não irei... Droga! Somos amigos... Melhores amigos... – expirei – Mas não há mais nada que possa fazer para conter meu desejo por você... Te amo de uma maneira irracional... – disse e afundei meu rosto em minhas mãos.

- Hey! – chamou com uma voz afável – Diz de novo que sou sexy... – disse com certo tom de divertimento.

- Gabriel! – gritei.

Nesse instante percebi que ele estava sentado ao meu lado no sofá, observando minhas reações. Sua atenção era tão genuína, como se estivesse observando uma flor.

- Sabe... Amo quando você fica irritada... – proferiu.

- Quando você vai parar de falar bobagens e me beijar de novo? – inquiri.

- Hum... Acho que agora! – respondeu e então seus lábios bloquearam os meus mais uma vez.

Imagem: Is this for real?

domingo, 9 de setembro de 2018

CARTA


Uma cachoeira saia do bico da garrafa para a xícara, a fumaça dançava desordenadamente. O cheiro de café entrou pelas minhas narinas e isso me fez salivar. Aproximei a xícara dos meus lábios, a fumaça acariciou meu rosto, entretanto sabia que o liquido ainda estava quente demais. O desejo de saboreá-lo era grande, porém sabia que iria provocar uma queimadura. Então, com muito esforço afastei a xícara, a colocando na mesa segundos depois. Decidi ir checar minha correspondência, afinal meu café não esfriaria tão rápido.

Sai e saudei o dia confuso. Nuvens e sol disputavam espaço no céu, assim como a tristeza e a alegria disputavam espaço no meu coração. Suspirei com a comparação, todavia chacoalhei a cabeça para que se dissipasse. Marchei com certo desanimo até a caixa do correio, assim que tinha em mãos o bolo de impressos, voltei para dentro. Os atirei na mesa, contudo nesse instante um envelope de cor vermelha chamou minha atenção, voltei dois passos e o retirei do meio dos outros. Analisei-o com certo cuidado, não havia remetente, tampouco destinatário. Quem envia uma carta para mim sem colocar esses dados? Perguntei e a resposta foi instantânea, ninguém! Intrigante... Será que devo abrir? Mas não esperei pela resposta sensata, estava cansada demais de fazer a coisa certa. Em um impulso, abri e retire de dentro do envelope um papel de cor amarelada, parecia velho, a curiosidade gritava. Não consegui conter meus atos, o desdobrei e iniciei a leitura...

Bom dia,

Mais um dia se inicia e gostaria de compartilhar-lhe algumas coisas. Sei que não sabes quem sou, ou pelo menos pensa que não sabes, mas na verdade isso não importa. Preciso lhe falar de coisas que esquecestes, ou não tens notado. Tua falta de atenção me dói tanto, nunca para e observa o que tens feito, apenas acumula responsabilidade e mais responsabilidade aos seus atos. A maneira que tu te vês é tão contraditória, distorcida. Algumas vezes penso que precisas de óculos. Já cogitei a possibilidade de lhe dar um, mas acabei desistindo da idéia, teu rosto ficaria muito diferente com eles.

Bem, deves estar se perguntando porque escrevi estava carta. Escrevo-lhe para contar um pouco de ti para ti. Sinceramente, espero que entendas. Consumo grande parte do meu tempo observando cada gesto, cada sorriso, cada palavra tua. Venho por meio desta, lhe mostrar o quanto sei a teu respeito, apesar de saber que tu não sabes uma vírgula sequer sobre mim. Contarei pra ti todas as minhas apreciações.

Começarei pelos olhos. Ah... Teus olhos... São como duas grandes janelas, há quem diga que são janelas da alma, porém digo que são tua verdade. Nunca encontrei olhos tão verdadeiros, revelam pensamentos com uma facilidade. Ofendo-me quando tentas esconde-los, porque nesses momentos não posso ler-te. Lembro que uma vez li determinado pensamento que adocicou tanto meu ser. “Prefiro a verdade, a mentira.” Ah... Doce pensamento, mas a situação não era agradável, pois mais uma vez estava te assistindo chorar, não me alegra ver tuas verdades inundadas por águas amargas. Por diversas vezes desejei te pegar no colo e ninar-te, mas não permites que ninguém se aproxime. Sofres sozinha, choras sozinha e mesmo que teus olhos te delatem, o egoísmo das pessoas as cegam.

Tu és diferente... Altruísmo, palavra que define a bondade em teus atos. Observei em poucas pessoas o cuidado com o outro, ao invés de si mesmo. Tens isso em teu comportamento, tantas vezes presenciei momentos de extremo cuidado com o que te são próximos, um cuidado que nem todos têm. Ah... Como gostaria de observar o mesmo em outras pessoas, mas nem sempre isso advém.

Sabe... Amo tua maneira de sorrir, sinceridade há nos teus lábios. Seus vários sorrisos encantam-me de tal maneira. Oh... Perdoe meu mau jeito de contar sobre ti, mas às vezes perco totalmente a linha de raciocínio. Deixe lhe explicar que durante todo esse tempo venho observando em especial teus sorrisos, até hoje consegui enumerar sete tipos diferentes. Poderia descrevê-los, entretanto não o farei, pois não quero correr o risco de perder um deles. Aliás, devo te confessar que há em meu peito uma dor latente quando teus lábios se transformam em linhas disformes, como dói ver o sofrimento neles...

Por fim, gosto de ouvir teu gargalhar. Sinal de alegria, vida e coragem. Apesar de muitos não suportarem, para os meus ouvidos é como pura música. Assim como quando me chamas. Ah... Meu nome proferido por seus lábios soa de uma maneira tão única. Alegro-me sempre em ouvir tua voz a chamar, nunca se esqueces de mim...

Poderia lhe escrever sobre tantas outras coisas. Descrever como admiro a tua maneira de andar, dançar, cantar... No entanto, não o farei. O que lhe escrevi é suficiente para acalentar teu coração e alegrar teu dia. A noite passada foi tão perturbadora, choro e gritos eclodiram de tua garganta num rompante que me doeu tanto. Como desejei te consolar, mas ontem, justamente ontem, não permitiste. Então escrevi esta carta com a intenção de lhe mostrar que os questionamentos feitos durante a madrugada são absurdos. Espero que estas palavras grafadas tragam consigo um pouco do meu amor por ti. Sim! Amo-te de uma maneira que nem imaginas e sinceramente anseio que me ames da mesma forma...


Com carinho,
Teu Amigo

Minhas bochechas eram leito de rio, soluços silenciosos brotavam em minha garganta. Tentei descobrir quem escreveu a carta, mas a letra grafada com tamanha perfeição era desconhecida por mim.

- Seja quem for o autor dessa carta... Obrigada! Meu amigo! – disse com dificuldade e sorri.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

DESCOBERTA


Eu não podia me sentir assim, aliás, não deveria. Agora estava a uma quadra de casa, mas para mim pareciam quilômetros. Finalmente cheguei, abri a porta e em questão de segundos já estava na porta do meu quarto, minha ilha, aqui poderia colocar minhas ideias em ordem. Joguei minha bolsa sobre a escrivaninha e me atirei na cama. Não demorou nada para que as lágrimas banhassem meu rosto.

Não queria mais pensar nele, mas parecia impossível, não iria admitir nada. Porque ele tinha que ter feito aquilo? Nós não poderíamos ter continuado apenas amigos? Mas não, ele decidiu se declarar, perfeito! Como se eu precisasse saber disso agora.

Ele é o meu melhor amigo, meu confidente, isso não foi nada justo. Ok, ele é bonito, tem um sorriso perfeito, um humor surpreendente, sempre bem disposto, tem solução pra tudo, é sempre tão sincero, às vezes até demais, me compreende como nenhum outro garoto. Ele vê através dos meus olhos e sabe muito mais de mim do que eu mesma sei, para, para, para! Será que não posso odiá-lo? O conheço como a palma da minha mão, os defeitos, as qualidades, tudo e mesmo assim não consigo abominá-lo?

Tudo que me disse hoje foi muito inesperado e ao mesmo tempo tão doce. Depois que me contou tudo àquilo, minha reação foi a mais esdrúxula possível, eu fugi. Não respondi nenhuma de suas perguntas, apenas levantei, sai daquele lugar e vim correndo para casa. Esperei que ele viesse atrás de mim, mas não o fez. Ele me conhece o suficiente para saber qual seria a minha reação. Contudo, as palavras dele faziam tanto sentido agora, mas não iria admitir.

- Aaaahhhh... – gritei e afundei meu rosto no travesseiro.

Na minha mente as memórias pareciam reais e límpidas como um rio de água cristalina. Tudo que nós compartilhamos, cada sorriso, cada toque, cada olhar, cada mico, cada acidente. Sim! Sou um desastre ambulante, não consigo viver um dia sem causar algum estrago; enfim, cada segundo que passamos juntos. Foram os dez meses mais loucos e perfeitos da minha vida.

Não queria, mas teria que admitir, me apaixonei pelo meu melhor amigo. Não havia ansiado por isso, tampouco esperei que isso ocorresse, mas aconteceu e eu tinha estragado tudo. Odiei-me ainda mais por ter sido tão idiota, como não havia descoberto isso antes?

Não queria mais pensar em nada e obedecendo ao impulso, fui até o meu micro system peguei meu CD de rock favorito e o coloquei pra tocar. Quando o CD estava repetindo pela terceira vez a quarta faixa o meu celular tocou, sabia perfeitamente quem era. Então pulei da cama e fui até a escrivaninha, abri minha bolsa como uma louca, peguei meu telefone e atendi.

- Alô? – minha voz estava cheia de culpa e esperança.

- Oi, sou eu... Ah, eu só queria saber se você estava bem.

- Eu não estou nada bem! – respondi.

- Ah... Acho que não devia ter ligado... – disse com uma voz triste.

- Não! Ah... Você fez bem em ligar, preciso falar com você e tem que ser agora. Você pode vir aqui em casa?

- Ah... Posso. Chego ai em 15 minutos.

- Ok! Estou te esperando.

Assim que ele desligou fechei meu celular e o atirei na cama, corri até o meu banheiro para ver como eu estava e minha análise concluiu que eu estava um lixo, decidi tomar um banho. Quando terminei, sai e fui até meu guarda-roupa procurar por alguma roupa leve e descente; encontrei um vestido que já não usava há muito tempo, mas parecia se encaixar perfeitamente.

A campainha tocou, um calafrio percorreu minha espinha. Caminhei em direção a porta e logo que a abri vi pela primeira vez o meu amigo com outros olhos. Como pude ter negligenciado tanto as evidencias?

- Hey! – disse com um tímido sorriso.

- Oi! – respondeu.

- Você não quer entrar? – ofereci.

- Claro! – aceitou e entrou.

Fechei a porta atrás de nós. Ele já estava próximo ao sofá quando comecei a falar.

- Primeiro, quero te pedir desculpas por ser uma burra, idiota e ignorante. Segundo, aquilo que você me disse foi realmente perfeito, ninguém nunca me disse nada parecido. Terceiro, descobri que também estou apaixonada por você.

Fiquei esperando que me dissesse algo ou fizesse alguma coisa, mas ele não teve nenhuma reação, tampouco disse alguma palavra. Isso começou a me irritar.

- Você ouviu o que eu te disse? - questionei.

Nada ainda, ele continuava parecendo uma vaquinha de presépio. Comecei a respirar fundo, pois minha raiva estava atingindo níveis perigosos. Foi então que finalmente me olhou nos olhos e sorriu travessamente.

- Você fica muito sexy quando esta com raiva, sabia?

Enquanto me preparava para dar uma resposta mal criada ele saiu de perto do sofá e veio em minha direção. Não tive tempo para reagir, ele segurou meu rosto entre as suas mãos e quando percebi, já estávamos nos beijando loucamente. Durante os momentos seguintes nenhuma palavra foi dita, nos comunicamos apenas por olhares. Entregamos-nos como nunca havíamos feito antes e não estava mais me sentindo culpada, antes pelo contrário estava em um estado de alegria inexplicável. Queria que essa noite fosse eterna... Por que não descobri isso antes?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

MUDANDO


Quando descobrimos que precisamos mudar, um temor descomunal assombra nossas idéias. Medo do desconhecido; é esse receio que enfrento. Acomodei-me a uma situação, no entanto agora estou em grandes apuros. Não posso mentir, estou muito amedrontada, mas o desejo de mudança é tão latente em mim que o temor se tornou muito pequeno diante do desejo. Hoje começa minha jornada, uma longa estrada me aguarda, e sinceramente, estou louca para saber onde me levará.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

INEVITÁVEL


Meus olhos estavam fitos no céu, observava com atenção a chegada da noite. Os pensamentos que rondavam minha mente eram os mais diversos possíveis. Debruçada naquela janela pude reviver momentos, palavras ecoaram em minha cabeça. Procurei em meio ao cinza a beleza de certos olhos, contudo não encontrei. As nuvens formavam desenhos confusos, quis compreende-los, porém não tive sucesso. Bem... Na verdade, estava tentando manter minha mente ocupada. Talvez estivesse caminhando para o fim, ou não. Essa dúvida me irritava, pois não havia mais desculpas disponíveis.

O fato é que estou à beira do abismo, prestes a cair e não importa o que eu faça, sei que a queda é inevitável. Todas as trilhas levam ao mesmo precipício, não há para onde fugir. Cheguei a um ponto sem volta, não importa o que eu faça, sempre voltarei para você.

sábado, 1 de setembro de 2018

MASCARADOS


Já pararam para pensar que nossa vida depende da comunicação e é por meio dela que conseguimos expressar nossos sentimentos e ideias. O nível em que nos comunicamos é certamente aquele em que vivemos.

É errado afirmar que a comunicação se dá apenas pelo que falamos ou dizemos. Nos comunicamos também em cada gesto, atitude, tom de voz e até mesmo no silêncio. É por meio desses sinalizadores que podemos conhecer uma pessoa.

Nós, muitas vezes, nos comunicamos de formas diferentes com o objetivo de chamar atenção das pessoas ao nosso redor e na maioria das vezes as pessoas não entendem. O que nos fazem acreditar que o que pensamos e a maneira como nos sentimos não tem valor para as outras pessoas.

Então, nós deixamos de comunicar as pessoas nossos reais sentimentos e começamos a usar máscaras para esconder quem somos, mas com o tempo as máscaras se tornam permanentes e esquecemos quem somos verdadeiramente. Passamos a ser uma mentira e a cada dia ela toma o lugar da verdade.

Mas, um dia acordamos e percebemos que não nos conhecemos mais. Tornamo-nos pessoas totalmente estranhas para nós mesmos, então percebemos que deixamos de ter identidade. Nós não temos mais vida, pois a máscara drenou cada gota de personalidade que existia em nós.

Portanto devemos lembrar sempre que por mais que as pessoas não entendam precisamos continuar nos comunicando em vez de colocar uma máscara e tornar a vida uma mentira.



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