Discutível Perfeição: Agosto 2018

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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

UM DESPERTAR


... Entrei no carro, bati a porta e sai sem rumo. Não demorou muito e as lágrimas me cegaram, ficou complicado ver a pista, mas não parei o carro. Quanto mais irada, mais acelerava.

Ainda chorando vi uma cidadezinha, da qual nunca tinha visto ou ouvido falar antes, no entanto algo dentro de mim despertou e senti um desejo de conhecê-la. Dirigi por ela sem saber ao certo o que buscava, as lágrimas tinham cessado e minha visão estava mais clara. Enquanto vagava pela cidade avistei um bosque e a mesma inquietação de antes me forçou a parar. Quando desci do carro observei bem a entrada e sem prestar muita a atenção andei alguns metros pela passarela e uma bela árvore me chamou a atenção, era enorme e tinha belos galhos, as raízes saltavam para fora da terra formando um cantinho aconchegante. Encantada, me aproximei e sentei ali, não demorou nada para que as lágrimas retornassem, mas de uma maneira selvagem, chorei como uma criança.

- O que te afliges? – uma voz doce perguntou.

Ainda soluçando levantei meus olhos para encarar quem perguntava. Era um rapaz de vinte e poucos anos com belíssimos olhos azuis, tão azuis quanto o mar.

- O que te afliges? – repetiu a pergunta.

Não consegui responder, apenas abaixei a cabeça.

- Por que você permite que destruam seus sonhos e roubem tua esperança? Você não me parece ser o tipo de pessoa que permitiria tal crueldade.

Como esse desconhecido sabe de tudo isso?

- Seja forte garota, lute por seus sonhos...


As palavras ainda ecoavam na minha mente quando acordei. Tudo não passou de um sonho, mas foi suficiente para me despertar. Vi tudo tão claro... Estava entregando tudo de bandeja. Levantei da cama e segui rumo ao banheiro, isso já era um velho hábito, bati a mão no interruptor e me observei no espelho. Primeira constatação, eu estava uma bagunça. Mas permaneci ali, talvez esperando acordar do pesadelo, mas dessa vez era real. Uma realidade triste, mas tudo só dependia de mim. E ali mesmo em frente ao espelho do meu banheiro jurei pra mim mesma que nunca mais ninguém mataria um sonho meu. Uma sensação de alívio e alegria me invadiu de tal forma que nem consigo explicar. Então, sai do banheiro e voltei pra cama, ainda era madrugada. Cogitei dormir, mas sabia que seria um esforço em vão. Então liguei meu aparelho de som, a música invadiu o quarto todo e fiquei ali deitada esperando o dia nascer.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

TEMPESTADE


Por vezes, uma árvore frondosa precisa que uma tempestade lhe atinja. Essa tempestade não vem apenas para abalar seus galhos, mas sim para desfolha-la completamente.

Aos olhos de meros mortais, a tempestade destruiu a pobre árvore. Porém, aos olhos de um sábio, a mesma tempestade só provocou a tão bela árvore a fortalecer suas raízes e enfim; frutificar.

domingo, 26 de agosto de 2018

SAÍDA


Destroçada, é assim que estou me sentindo agora. Meu peito dói. Não consigo conter as lágrimas que escorrem pelas minhas bochechas, tampouco os soluços que saem pela minha garganta. Estou tentando recolher os cacos, mas não estou tendo muito sucesso. Envergonho-me por estar tão magoada, gostaria que tudo fosse apenas um pesadelo, mas não é.

Sinto-me vazia, não há mais o que ser feito, não consigo sentir mais nada. Estou em meio a uma tempestade, nada tem mais sentido. Procuro por uma saída que ainda não vejo, mas por algum motivo acredito que exista. As palavras ainda ecoam em meus ouvidos, algumas delas não devem ter vindo cheias de verdades, mas foram suficientes para trazer mentiras a vida. Odeio a forma como sou fraca, contudo não encontro forças para continuar minha jornada.

Agora? Minha decisão é parar, recolher meus cacos e encontrar forças dentro de mim para seguir em frete. Vou até o mais profundo do poço, sofrerei. Mas quando me levantar, não haverá nada para me deter. Sairei e seguirei minha jornada, sem medo dos desafios, buscando a saída.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

FLERTES


Eu o olhei pela terceira vez em menos de meia hora, mordi o lábio inferior e segurei seu olhar por cerca de cinco minutos, então desviei os olhos com um sorriso travesso. Mexi meu drink sistematicamente, o jogo havia começado há tempos atrás. Eu estava disposta a virar a cabeça dele e ele a me levar pra cama, mas até agora nenhum de nós fez qualquer movimento.

Tomei mais um gole do meu cosmopolitan, enquanto avaliava minhas opções no bar. Depois de alguns minutos, capturei seu olhar novamente. Seus olhos castanhos eram envolventes e cheios de promessas, tal sensual. Suspirei e joguei o cabelo para o lado, pela minha visão periférica o vi prender a respiração. Um riso eclodiu dos meus lábios e pela primeira vez naquela noite desejei que ele viesse me cortejar, todavia ele não veio. Nem eu fiz qualquer movimento, o jogo perdurou por toda a noite. Olhares, sorrisos e muita provocação. Aquela foi a primeira noite que jogamos um com o outro e pelo que pude concluir, não seria a última.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

POR QUE...


Por que você bagunçou minha mente???
Por que fico tão ansiosa enquanto não te vejo???
Por que pareço uma boba quando te vejo???
Por que você tem que ser tão agradável comigo???
Por que sua voz soa tão doce aos meus ouvidos???
Por que quando você sorri sempre me esqueço de respirar???
Por que você é tão engraçado???
Por que você é tão surpreendente???
Por que confio tanto em você???
Por que me encanto com suas opiniões???
Por que admiro seu jeito inocente de viver???
Por que gosto tanto da sua maturidade???
Por que adoro suas criancices???
Por que desejo tanto seus lábios???
Por que sempre me pego sonhando com você???
Por que você não sai da minha cabeça???
Por que, por que, por quê???
Porque acho que me apaixonei por você!!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PROMESSA


O sol iluminava a rua, enquanto a brisa beijava minha face. Sentada na sarjeta, observo as folhas se desprenderem da árvore, caindo uma a uma no chão. Lágrimas brincaram no canto dos olhos, todavia não era um choro de remorso, eram apenas brincos-de-princesa. Respirei fundo, ao mesmo tempo, fechei os olhos. Chega de vivenciar ilusões, não vou mais me ferir. Agora, tudo será diferente, pois não sou a garota ingênua de meses atrás, sei o que quero e vou lutar para conquistar.

Ali, sentada naquela sarjeta, fiz uma promessa a mim mesma e vou cumpri-la estando certa ou errada. É hora de seguir em frente, mas esse é um caminho que devo trilhar só. Então, me levantei e caminhei pela rua com calma, pela primeira vez em anos, determinava o ritmo dos meus passos.

Imagem: eu, borboleta

sábado, 18 de agosto de 2018

MIRAGEM


Observando pela janela, compreendo que meu desejo é estar ao seu lado. Foram meses fantásticos, enfim confiei que sonhos se realizavam. Contudo, nada é como nos contos de fada, não existem fadas madrinhas, tampouco príncipes montados em cavalos brancos. Como pude ser tão cega? Deslumbrei-me com a paisagem, no entanto era apenas uma miragem. Acreditei que pudéssemos compor uma bela canção, mas simplesmente não há ritmo.

Agora, meu coração está destroçado, lágrimas rolam pela minha face. Finalmente percebo que confundi meus sentimentos, porque gostei do que vi. Portanto, estou arrastando para a sepultura todas as lembranças de ti.

- Hora de virar a página! – afirmei corajosamente.

Então, dei as costas para você e a janela.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ANTÍDOTO


Provocou-me assim que adentrei no recinto, prontamente um sorriso faceiro coloriu minha expressão. Andei até o centro da pista, os ossos já se moviam freneticamente. Nenhum pensamento cozinhava em minha mente, porque a melodia os tolhia. Agora, simplesmente aspiro que o DJ aumente o som, pois meu corpo sucumbe aos desejos.

As muralhas começam a ruir, enquanto a batida me desafia. Há um terremoto sob meus pés, ao mesmo tempo, observo um muro ir ao chão. Apesar disso, não me assusto. Pura cinemática? Talvez... No entanto, nenhuma fórmula de física consegue elucidar o que está ocorrendo. Ilogicamente, nada faz sentido. Afinal, algo precisa fazer sentido?

terça-feira, 14 de agosto de 2018

SENTENÇA


A caneta corria sobre o papel com rapidez, poucas palavras foram necessárias, logo o bilhete estava pronto. Coloquei-o sobre minha cama, juntamente com uma caixinha. Em seguida, me virei e sai dali com a esperança de que respeitassem minha decisão e que um dia compreendessem os motivos que me levaram a isso.

As malas já estavam devidamente acomodadas no porta-malas, portanto abri a porta do carro com determinação. Suspirei ao encarar novamente a casa a qual nasci e fui criada, um aperto no peito me fez hesitar, todavia já tinha decidido. Entrei no carro, girei a chave e ouvi o motor ganhar vida. Uma lágrima tocou minha epiderme, enquanto expirei. Hora de ir, pensei. Então, soltei o freio de mão e pus o carro em movimento.

Imagem: SomethingToLove

domingo, 12 de agosto de 2018

UTOPIA


Sentada no sofá com o queixo sobre os joelhos, chorava inconsolavelmente. Meus braços cercavam as pernas com mais força, à medida que a agonia aumentava. Enfim, colocava pra fora os sentimentos que me atormentaram durante dias. Os pensamentos eram como agulhas, cravadas pouco a pouco, uma tortura infindável. Gritos foram vomitados por meus lábios, a dor era lancinante. Nada coerente passava pela minha mente, estava à beira da loucura. Nesse instante, vislumbrei um relâmpago, poucos segundos depois o trovão estremeceu tudo a minha volta.

Acordei sobressaltada com o trovão ainda ressoando. Isso foi um sonho? Essa era a única indagação na minha cabeça. Agucei os ouvidos, um som agudo e ritmado vinha da janela. Está chovendo, conclui momentos depois. Então, me virei a fim de aninhar-me em seus braços, todavia o que encontrei foi um imenso vazio. Um nó se formou na garganta, enquanto gotículas correram pela minha face.

- Você nunca notou que estava tentando te amar... – lastimei entre soluços.

Então, afundei o rosto no travesseiro e despontei à caça da inconsciência.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ALGUÉM


Ela só desejava alguém, um pedido simples e pequeno. Entretanto, as pessoas não lhe compreendiam, não a entendiam. Logo, ela parou de falar. Foi uma solução para acabar com as criticas e tantos conselhos furados.

Contudo, ninguém sabia o que se passava na mente daquela bela jovem solitária. Sim, ela era extremamente sozinha. Não havia ninguém para lhe abraçar apertado. Nem para confrontá-la. Tampouco, despertá-la no meio da noite. Ela era apenas um fantasma no meio de uma multidão.

Inexistia alguém que a fizesse se sentir amada ou querida. Ela era apenas a garota inteligente com um sorriso quebrado. Suas feridas eram tão grotescas, e mesmo assim, as pessoas a sua volta não percebiam que tudo o que ela precisava era de alguém.

Um alguém que lhe roubasse o coração. Que a amasse com todo seu ser. Que a fizesse questionar tudo. Que a confundisse. Que a machuca-se profundamente. Mas, acima de tudo, que a fizesse se sentir viva. Capaz de sobreviver nesse mundo frio e maligno.

Todavia, ninguém ainda havia ousado quebrar seus muros e lhe trazer a vida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

DESPRETENSIOSO


Eu o olhei e mais uma vez sorri, ele fez o mesmo. Estava encantada com seus olhos, belas turmalinas azuis. Como era possível? Não tínhamos trocado qualquer palavra, entretanto não me era necessário ouvir sua voz. Eu só queria olhar em seus olhos enquanto ele me degustava, nada mais.

De repente seus lábios sussurraram um "oi" e não pude evitar, escondi o rosto com o cabelo. Porém, meus olhos ainda o assistiam e tudo o que vi foi seu sorriso aumentar.

Expirei algumas vezes antes de elevar o rosto e lhe convidar para um café despretensioso, contudo sempre soubemos que nada, absolutamente nada era despretensioso.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ENTORPECIDA


Lá estava você, olhando para seus sapatos outra vez. O que estás pensando? Questionei-me, mas sabia que não teria autorização para invadir teus pensamentos. Notei o fone em seus ouvidos e quis saber qual melodia ouvias, entretanto isso não me era permitido. Sorri com a afirmação que a garota ao meu lado fez, todavia não tirei os olhos de você. Desejei ser estúpida o bastante para lhe dizer tudo o que estava sentido, contudo não sou. Talvez seja apenas uma garota azarada, no entanto não sou a única. Por um momento achei que ouviste meus pensamentos, pois um sorriso faceiro coloriu sua expressão. Acho que estou ficando maluca, pensei.

- Alô! Terra chamando... Lara! – afirmou com uma pitada de acidez em seu tom.

- Desculpe, Amanda! Mas estava absorta em alguns pensamentos... – confessei.

- Percebi! Qual é o nome dele? – questionou, apontando para o garoto do outro lado do pátio.

- Ainda não sei... – menti.

- Talvez devesse ir falar com ele... – sugeriu.

- Algumas palavras não devem ser ditas... – articulei vagamente.

- O que pretende fazer então? – perguntou.

Virei-me para encará-la, um sorriso decorava minha face.

- Tomar doses cavalares de sonífero... Um coração adormecido não sofre... – expliquei enquanto me levantava.

- Aonde você vai? – inquiriu.

- Biblioteca! - informei - Quer vir comigo?

Ela apenas sorriu, segundos depois já estava em pé - Vamos! – proferiu com uma animação fora do comum, enquanto agarrava meu braço.

Então, caminhamos preguiçosamente para nosso refúgio.

sábado, 4 de agosto de 2018

INIMIGO


Estava deitada sob uma árvore, os fones lançavam a melodia em meus ouvidos enquanto os pés marcavam o ritmo e os lábios balbuciavam a letra da canção. Outra vez entregue as recordações, fechei os olhos e me permiti fantasiar.

A inconsciência me guiava para um mundo novo quando uma mão afagou meus cabelos, instantaneamente abri os olhos e encarei o até então desconhecido, rapidamente retirei os fones e regressei a realidade - O que fazes aqui? – indaguei.

- Precisamos conversar... - foi tudo que disse, sua expressão era azeda.

- Ok... - afirmei e com certa destreza me pus sentada.

- Quem lhe deu a idéia de que um dia pudéssemos ser mais do que amigos? - inquiriu.

- Ninguém... Mas, por que me perguntas isso? Nunca afirmei nada... - expliquei.

- Negar não vai te ajudar... Sei o que tu disseste... - contrapôs.

- Não vou ficar aqui para escutar asneiras... - informei e fiz menção de levantar.

- Espere! – pediu, sua mão segurou meu braço.

- Me solta! - ordenei.

- Não! Ainda não terminamos... - informou.

- Pra mim não há mais nada a ser dito... - afirmei com ironia.

- Contudo, sinto lhe informar que ainda há muito a ser dito... - explanou.

- Não! Não, há! - avisei e com determinação arranquei meu braço de suas mãos, me coloquei em eixo e marchei para longe dali.

- Como você é teimosa! - concluiu.

Virei-me para encará-lo e dar uma resposta a altura, mas depois reconsiderei.

- Fugir é sempre mais fácil, não é mesmo? - questionou.

Nesse instante o sangue me subiu, dei meia volta e vim em sua direção para lhe dizer umas boas verdades. Não foram necessários mais do que dez passos e já estava frete a frente com ele.

- Sabe qual é o seu problema? - inquiri.

- Não! Nem preciso saber... O que sei é que tu me enlouqueces... - afirmou.

- Por que perco meu tempo com você? – me questionei.

- Porque me amas... - afirmou com certo sarcasmo.

- Vai pro infer... - comecei, mas seus lábios bloquearam os meus antes que a palavra fosse completamente dita.

Meus sentimentos eram ovos mexidos, não conseguia pensar claramente, estava totalmente confusa. Contudo, uma sensação de proteção me inundou, há muito não sentia algo assim. Quando nossas bocas se separaram abri os olhos e o observei, em seu rosto era nítida a agitação. Respirei profundamente durante alguns segundos, todavia estava congelada, não consegui esboçar qualquer reação ao que acabara de acontecer.

- Hey... Terra chamando! – articulou enquanto estalava os dedos.

Sacudi minha cabeça, a ficha caiu. Imediatamente, dei as costas para ele e iniciei uma marcha sem rumo.

- Aonde você vai? – questionou.

Não repliquei, tampouco tracejei qualquer sinal de que responderia, apenas segui meu caminho. Então, pude ouvir passos vindos em minha direção, mas antes que ponderasse fazer algo sua mão segurou meu braço e com certa violência me obrigou a encará-lo.

- Quer, por favor, me dizer o que esta havendo contigo... – implorou.

- Estou pondo meu coração para dormir... – expliquei.

- Ah?! Espera... O que você está me dizendo? – indagou.

- Eu não posso ficar, mas também não posso partir... – afirmei e uma lágrima brotou em minha face.

- Como assim? Por obsequio, me diga algo que faça sentido! – exigiu.

- Sou meu pior inimigo... Não é você, sou eu... Estou com medo... – confessei.

- Medo!? Por quê? – investigou.

- Já me feri tantas vezes... Não sei até quando posso suportar... Estou cansada de colocar curativos em meu coração... – revelei.

- Hey... Não sei se te ajuda, mas também estou com medo... Nunca me permiti cultivar algo tão forte por alguém como estou fazendo por ti... – expôs.

- Então, onde ficamos? – questionei.

- Aqui... Amanhã será um novo dia, provavelmente com novos medos, portanto vamos viver hoje... – disse e sorriu.

- Você tem toda razão... Agora, será que até o fim desse dia terei a oportunidade de ser beijada novamente? – investiguei.

Ele apenas sorriu travessamente e me beijou.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

TEMPORAL


Os ponteiros do relógio passeavam pelos marcadores despretensiosamente enquanto meus pés acariciavam o piso gélido. Pela janela do apartamento pude ver o quanto estava escuro esta noite, a lua não nos agracio com sua presença, tornando tudo mais sombrio. Durante longos momentos emprestei meu singelo raciocínio a um quebra-cabeça defeituoso, caminhei sobre a tênue linha que divide razão e loucura. Talvez... Não! Não havia explicação! Nenhuma palavra foi dita ao acaso, tudo foi premeditado. Agora, estou fugindo dos fantasmas de ontem, mas a névoa os acoberta. Esta tão difícil respirar, mal consigo encher os pulmões com oxigênio. O desespero tomava conta do meu ser, juntamente com o medo e incerteza. A beira da loucura estava eu, me restava apenas um último fôlego, o qual usei para um simples desejo.

- Quero experimentar outra vez o temporal! – sussurrei.

Gotas encorpadas colidiram contra minha pele, um som alto e ensurdecedor acompanhado de um clarão fizeram o chão tremer. O vento impetuoso me fez cambalear, contudo permaneci firme. As gotas percorreram meu corpo, causando um arrepio infundado. A água fria que beijava minha epiderme trazia consigo algo que nunca tinha experimentado, uma sensação de leveza inundou-me. Venho perdendo dias de sol, pois as sombras me esconderam, contudo ainda não consigo focalizar a luz solar. Estou ficando maluca, preciso sair desse pesadelo. Nesse instante elevei o rosto ao céu, abri os braços e recebi a tão desejada chuva.



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