Discutível Perfeição: SORRISO

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

SORRISO


Quem és nesse exato momento? Qual é a maneira que olhas para os que estão agora a tua volta? Será que existe um sorriso desconcertante decorando as linhas do teu rosto? Ainda és o mesmo ou agora assumiste uma máscara? Quais são os segredos que teus olhos ocultam? Quantas verdades tens camuflado com tuas mentiras? Chega! Gritei, mas esse grito não teve efeito, minha mente desobedeceu. Chacoalhei a cabeça com o desígnio de dispersar todos os questionamentos. Virei outra vez na cama, apenas mais uma tentativa de encontrar uma posição confortável, parecia que estava deitada sobre pregos. Afundei a cabeça no travesseiro, cerrei os olhos e sai em busca da inconsciência.

... Era uma clareira, continha flores do campo por toda dimensão. Havia um rapaz sentado ali, parecia parte da paisagem, entretanto existia algo que o distinguia. Involuntariamente dei alguns passos em sua direção, minha aproximação sutil foi notada, girou para me encarar. Nesse momento pude deslumbrar seu rosto, nunca vi alguém com aquele olhar, ao mesmo tempo era misterioso e sincero. Não consegui achar explicações para o que senti quando seus olhos enamoraram-se dos meus. Com movimentos graciosos se colocou em eixo, mas sua expressão era séria. Caminhou como um guepardo, a cada passo um novo frisson declinava pela minha espinha, brecou a apenas um metro de distância.

- Vem comigo? – questionou docemente.

- Pra onde? – rebati.

- Apenas me siga... – comandou e estendeu sua mão.

Um misto de medo e insegurança me alagou, todavia a sede em descobrir para onde iríamos era maior, então resignei. Segurei sua mão e deixei-me ser guiada. Cruzamos a clareira sem trocarmos uma palavra sequer. Assim chegamos à margem, vi claramente a divisão entre a luz e a escuridão, um calafrio passou do alto da cabeça até a planta dos meus pés.

- Corra! – disse e saiu em disparada.

Foi por puro instinto que o segui, mas quando notei já tinha adentrado na floresta tenebrosa. Procurei pelo rapaz, mas não existia qualquer sinal dele em parte alguma.

- Hey! Vamos! Não tenho o dia todo! – gritou, mas sua voz era distante.

Virei na direção do som. O avistei em outra extremidade da floresta onde luz e sombra novamente se tocavam. Dirigi-me até ele e à medida que me aproximava vislumbrava mais nitidamente a relva verde, o céu em uma amalgamação de algodão e mar, ouvia ao longe o ruído das águas correntes, os pássaros a cantar...

- Que lugar é este? – questionei, pude perceber a surpresa e encantamento verterem da minha voz, enquanto me virava para defrontá-lo.

Não respondeu, apenas contorceu os lábios em um sorriso. Uma emoção incomum dominou meu ser, algo que nunca havia sentido. Vi meus escudos irem ao chão, certezas e idéias desaparecerem como um passe de mágica.


Abri os olhos e a escuridão encarou-me. Nem nos sonhos me deixas em paz! Suspirei e então sentei na cama. Estou presa a memórias que não deveriam durar, todavia minha mente faz questão de revivê-las toda noite. Ele roubou minhas armas e aprisionou meu coração com apenas um sorriso. Como podes fazer isso comigo? Por que arruinar meus planos de viver sem alguém? Contudo essas respostas não têm mais valor, sou nação vencida e por ironia do destino fui derrotada por uma arma tão singela, algo que jamais temi, mas agora vejo como é perigosa.

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