Discutível Perfeição: INCONFUNDÍVEL

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domingo, 29 de julho de 2018

INCONFUNDÍVEL


Meus olhos observam novamente a mesma paisagem, continuo buscando nela o olhar que ainda me é desconhecido. O ônibus anda a uma velocidade constante e isso me faz analisar os rostos que ali estão. Pessoas de todos os tipos decoram o lugar, contudo nenhuma delas roubou minha atenção. O vento tocou minha face e meus olhos se fecharam por um momento.

Focalizei em minha mente um semblante desconhecido, mais uma vez observei o mesmo rosto de outrora, nunca consegui me livrar da lembrança dessas linhas. Em todos os meus sonhos lá estavam os mesmos olhos cor de topázio e o sorriso desconcertante. Involuntariamente um tolo sorriso brotou em meus lábios, porém durou apenas alguns segundos. Logo as lágrimas resolveram beijar minhas bochechas. “É como procurar uma agulha em um palheiro!” Pensei e com as costas da mão removi as gotinhas que corriam pela face, em seguida abri os olhos.

Ao meu lado estava sentada uma senhora bem apessoada, sua boca era pitada com batom carmim e seus olhos eram de um verde tão profundo. Senti minhas bochechas corarem quando percebi que ela assistiu meu choro silencioso.

- Minha jovem! Não te preocupes com coisas que ainda não compreendes... Nem tudo precisa de uma explicação... – disse com uma voz confeitada de carinho.

Sorri timidamente – Obrigada! – agradeci.

Nenhuma outra palavra foi proferida pela tal senhora, nem eu tive coragem de dizer-lhe algo. Apenas voltei meus olhos para a janela e busquei manter minha mente ocupada.

Quando dei por mim, meu ponto era o próximo. Acomodei os livros no braço direito, enquanto coloquei no ombro esquerdo as alças da bolsa. Assim que tudo estava perfeitamente encaixado, levantei e com certo cuidado sai no corredor. A senhora me assistiu durante todo esse tempo sem proferir uma única palavra, nem quando lhe pedi licença para passar. Acionei o sinal e caminhei para a porta.

- Minha jovem! – chamou com certa ansiedade em sua voz.

Virei-me instantaneamente - Sim! – respondi.

- Só tu reconhecerás a música que nunca ouvistes... Adeus! – disse e voltou seu rosto para frete.

Nesse instante fiquei paralisada, minha mente tentava organizar os vários pensamentos, porém a tarefa não era fácil. O ônibus brecou no ponto, ouvi as portas se abrirem. Forcei meu corpo a sair do lugar, marchei com certa relutância até a porta. Quando já estava fora, ouvi o ônibus partir. Meus pensamentos continuavam confusos como peças de um quebra cabeça. Sinceramente, não compreendi as últimas palavras que a senhora expusera, entretanto, sabia que de nada adiantaria tentar encontrar o esclarecimento para as perguntas que me incomodavam. Então, nesse momento finalmente compreendi algo que já deveria ter entendido. Tudo tem sua hora, não cabe a mim montar o quebra cabeça. Essa é a tarefa do tempo, ele se incumbirá de colocar cada peça em seu devido lugar.

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