Discutível Perfeição | Estórias, cotidiano, mulherzice e tudo que me intriga...: Janeiro 2017

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

SECRETS


Eu escapei pela porta, enquanto ele ainda dormia. Ao contrario do que todos diziam, eu não era forte o bastante quando se tratava do Lucas. Nós fazíamos sexo com a mesma frequência que uma criança come doces, ainda sim, não sabia dizer ao certo o que sentia por ele. E é exatamente por isso que estou caindo fora... Outra vez...

Nosso romance é complicado demais para rotularmos algo, logo prefiro sair com as pernas bambas do apartamento dele a ter que enfrentá-lo. É óbvio que sou uma pé frios, mas prefiro isso ao maldito drama do "estou apaixonada por você"...

Eca! Me dá enjoo só de pensar em todo o drama...

Sacudi a cabeça e torci a maçaneta lentamente.

- Aonde você pensa que vai, Larissa? - sua voz me fez congelar.

Fechei os olhos e soltei as sandálias no chão - Merda! - resmunguei e encostei a cabeça no pedaço de madeira a minha frente.

- Eu ainda estou esperando sua resposta... - cobrou e senti seu corpo se aproximar do meu.

- Por favor, Lucas... - implorei e me senti desmoronar.

Seus braços agarraram minha cintura, enquanto seus dedos se encaixavam aos meus...

- Você não pode fugir o tempo todo, sabia?! - sussurrou ao meu ouvido, e colou seu corpo ao meu.

- Eu não quero fazer isso...

- Fazer o quê?! - disse e uma das suas mãos começou a provocar meu corpo.

- Não complique as coisas... - pedi entre suspiros.

- Não vou... - prometeu com um casto beijo em meus lábios - Este será nosso segredo...

- Vou te odiar por isso... - resmunguei e me entreguei as provocações.

E nesse minuto, entreguei minha alma ao demônio. Eu precisava ser forte, dura, fria... Mas, só fui covarde o suficiente para abraçar o elefante branco. Eu tinha segredos dele, contudo, ele jamais foi meu segredo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

INTERVALO


Finalmente o sinal tocou, levantei da minha carteira, andei em direção a porta e ao sair da sala fui surpreendida, ele estava encostado na parede próximo à porta me esperando com um lindo sorriso em seu rosto. Eu não pude acreditar no que via, parecia um sonho. Assim que nossos olhos se encontraram seu sorriso aumento e enquanto me aproximava um tímido sorriso brotou em meus lábios.

- Oi – ele disse.

- Olá – respondi.

Não tivemos a capacidade de dizer nenhuma outra palavra, ficamos apenas nos olhando. Ele buscava em meus olhos respostas para suas perguntas silenciosas e eu conseguia ver nos dele uma mistura de sentimentos dos quais nunca havia visto antes, tentei identificá-los, mas estavam confusos demais para que pudesse compreender.

De repente senti sua mão direita tocar minha mão esquerda, ele as levantou até que entrelaçamos nossos dedos; nós não tiramos os olhos um do outro. A sua outra mão saiu do bolso da sua calça para a minha cintura, onde carinhosamente me puxou pra perto dele. Quando finalmente desviei meus olhos para nossas mãos, pude perceber que ele acompanhara meu olhar e que seus lábios se contorceram em um sorriso discreto. Não pude evitar o arrepio que passou pelo meu corpo, tampouco o sorriso que apareceu em meus lábios quando nossos olhos se encontraram novamente. Nesse mesmo momento pude sentir sua mão deixando a minha cintura para tocar o meu rosto e quando o fez, outro arrepio percorreu meu corpo.

- Eu amo você – foi tudo que me disse.

Antes que pudesse responder seus lábios bloquearam os meus. Nesse momento, meus olhos se fecharam. Minhas mãos ganharam vida própria indo para a sua nuca e as dele foram para a minha cintura, onde fechou ainda mais o espaço entre nós. Pude sentir sua respiração em meu rosto, provar o sabor dos seus lábios. Naquele momento o beijo com o qual tanto sonhara, finalmente aconteceu, não podia acreditar. Sentia-me tão alegre porque estava nos braços da pessoa que amava e desejei que esse momento não tivesse fim.

Foi nesse exato instante que o sinal tocou. Assustados, nós abrimos os olhos e nos afastamos imediatamente, acabando bruscamente com o nosso momento. Porém nossos olhos não se desprenderam em nenhum momento, no entanto não dissemos nenhuma outra palavra. Tínhamos que voltar para a aula, teria que me despedir dele, mas não queria fazer isso. Ele de alguma maneira notou o motivo da minha hesitação.

- Eu vou estar aqui quando sua aula terminar, te esperando – sussurrou no meu ouvido.

- Tudo bem - concordei.

Então me deu um beijo no rosto, se virou e foi em direção a sua sala. O observei até que sumisse de vista. Fui obrigada a voltar para a sala, no entanto não consegui mais prestar atenção na aula; pois minha mente estava revivendo cada momento do intervalo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

AZARADOS


Estava no mesmo lugar de outrora, aguardando pacientemente o carrasco. Ainda eram três da tarde, o sol se impunha perante as pessoas, mas pouco me importava. Fechei os olhos por segundos, tão logo minha mente se recheou de lembranças. Uma pequena lágrima nasceu, a dor enfim se fez presente.

O maremoto de sentimentos inundou meu ser, não havia como negar, infelizmente nem tudo é verdade. Fomos estúpidos o bastante para seguir com algo sem futuro, porém não me arrependo. As melhores palavras não foram proferidas, apenas arquivadas.

... – Nunca comece algo que não possa terminar... – disse distraidamente.

Você me olhou com um sorriso de canto, algo nos seus olhos despertou certa curiosidade em mim, mas não busquei resposta, apenas dei de ombros...


A cena límpida me fez questionar certas atitudes, todavia não queimei um neurônio sequer para compreender qualquer coisa. Para que tentar? Logo estaremos tocando músicas distintas, nada será como antes. O que me resta é guardar tudo o que vivi contigo, isso bastará. Afinal, somos apenas azarados.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

SONHOS


Sob a luz da lua, naquela sacada, observava um pequeno baú. O coração encorajava-me a abri-lo, contudo o medo me dominava. Senti uma lágrima beijar minha bochecha, enquanto um soluço acanhado escapulia pelos meus lábios. Suspirei, então coloquei a mão em meu peito. Senti o coração galopar, nesse instante um sorriso coloriu minha expressão. Fechei a mão em punho, agarrando a corrente de ouro. Com o movimento preciso, a corrente se rompeu e em minha mão a singela chave se aninhou. Observei o relicário com atenção, nele havia um pequeno rubi cravado. A brisa noturna acarinhou meu corpo, enquanto seu canto me ajudava a trancafiar o medo. Dirigi minha mão ao fecho do baú, encaixei a chave segundos depois. Nesse instante, consegui enjaular completamente o medo. A chave girou com a ajuda do indicador e o polegar, a lingüeta libertou a tampa momentos depois. Elevei-a, meus olhos buscavam com ansiedade o conteúdo. Logo, deslumbrei as jóias mais raras. O sorriso cresceu, enquanto o coração martelava. Calmamente, me embonequei com cada uma delas. Minutos depois, estava coberta de jóias. Então, levantei e caminhei preguiçosamente até o parapeito. Analisei tudo a minha volta, comparando cada detalhe com as insígnias em meu corpo. Nada era sequer parecido, todavia o poder estava em minhas mãos. Então puxei a cadeira ao meu lado e com agilidade subi na pequena parede. Equilibrei-me ali por poucos minutos, então enchi os pulmões de ar e desafiei a gravidade...

Acordei assustada, porém minha respiração era tranqüila. Observei tudo ao meu redor, o quarto era iluminado apenas pelas luzes da rua, enquanto a cortina dançava com o vento. Curiosamente, compreendi o que havia sonhado. Um riso ritmado eclodiu da minha garganta, enquanto balançava a cabeça.

- Concordo, está na hora de libertar meus sonhos... – verbalizei o pensamento.

Então, me aninhei entre os cobertores e bebi outro gole de insanidade.

sábado, 7 de janeiro de 2017

SEM MISERICÓRDIA


- Eu amo estar com você... - sussurrou enquanto puxava meu corpo para mais perto do dele.

Eu apenas suspirei e mordi sua orelha...

- Não faz assim... Por favor! - implorou com os olhos fechados.

- Eu não estou fazendo nada... - justifiquei e o empurrei para longe.

Ele me olhou com a sobrancelha arqueada, claro sinal de indagação... Eu deveria contar agora, mas não estava preparada para sua reação.

- O que foi? - sua pergunta me fez rolar os olhos e simplesmente dar de ombros.

- Ana, diga logo... - ele estava irritado.

- Eu fui transferida... - soltei sem qualquer preparação.

- Como assim?! Eles não podem te transferir...

- Na verdade, eles podem e vão...  - afirmei, me sentando na beirada da cama - Eu começo na semana que vem...

- VOCÊ ESTÁ BRINCANDO COMIGO?! - sua voz estava alta o suficiente para que eu afundasse no colchão.

- Gostaria de estar...

- E nós?! - vociferou, com os dedos em riste.

- Nunca existiu nós, Daniel... - confessei e desmoronei na cama.

- Com... O quê?! - seus olhos estavam vítreos em mim.

- Acho melhor você ir... - sugeri e virei de bruços.

A porta bateu segundos depois, ele não iria discutir comigo, eu sabia disso.

O fato é que não posso dar o que ele quer, então o usei... Sem qualquer remorso. Ele sabia desde o começo que não poderia ser a garota que ele queria, mas mesmo assim, ele teimou. Então, fiz a única coisa que pude, aproveitei o momento, o fiz acreditar que o amava, mas a verdade é que eu me aproveitei dele.

Eu fui a vilã nesse jogo, contudo, não me sentia mal...

Afinal, o coração sempre decide o que ele realmente quer...

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FROZEN


Ela sentiu seu coração congelar lentamente, não precisava de explicações, ou um abraço... Naqueles segundos, ninguém seria capaz de parar o resfriamento. O brilho nos olhos dela diminuía na mesma velocidade que o gelo se alastrava. Seus sentimentos foram desligados, como um interruptor. Ela estava cansada demais para lutar...

Uma gotícula de gelo pingou de seus olhos no mesmo instante que seu coração parou de bater. Não havia mais sorrisos, o mal tomou conta de cada cantinho do seu corpo. Ela olhou-se no espelho e percebeu que havia se tornado o pesadelo de qualquer pessoa.

A crueldade beliscou seus dedos e ela sorriu... Ela estava pronta para retribuir cada ferida, corte e pancada. Ela seria temida. 

Uma tímida batida na porta a fez despertar para o aqui e agora... 

Então, sorriu e foi sem qualquer receio, tragar sua primeira vítima.



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