Discutível Perfeição | Estórias, cotidiano, mulherzice e tudo que me intriga...: Maio 2016

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sábado, 28 de maio de 2016

SOU REBELDE...


Por ter minhas próprias opiniões???
Por afrouxar os cintos???
Por dizer o que penso???
Por aproveitar cada segundo de vida???
Por rir???
Por ser justa???
Por odiar mentiras???
Por não me importar em ser popular???
Por não querer seguir a multidão???
Por não deixar que os outros me digam o que fazer???
Por não me mascarar???
Por ter uma personalidade forte???
Por não ter as mesmas preferências???
Por ser alegre???
Por decidir o que eu quero???
Por chorar???
Por não seguir alguns padrões???
Por não ser normal???
Porque decidi sonhar???
Por dançar sozinha???
Por tentar viver???
Porque decidir não nadar a favor da correnteza???
Enfim...
Sou rebelde por não seguir o que eles dizem...
E quem são eles afinal???

terça-feira, 24 de maio de 2016

PORTA-RETRATO


Estava jogada no chão da sala e as lágrimas banhavam minha face mais uma vez. Os sentimentos eram como vermes consumindo cada parte do meu corpo. Milhões de idéias dançavam em minha mente, mas nenhuma fazia sentido. Desejei gritar, no entanto naquele momento minha voz não existia. Abracei-me, era apenas uma tentativa vã de acabar com a dor. Tentei encontrar forças para levantar, contudo meus braços se recusavam a obedecer. Forcei-os a soltar meu coração destruído, a dor aumentou, mas não desisti. Apoiei as palmas das mãos no chão gelado e imprimi força, meu tronco deslocou alguns centímetros, mas logo em seguida encontrou-se novamente com o piso frio. Vamos lá, levante-se! Gritei apenas em pensamento, pois continuava muda. Repeti o movimento de poucos minutos atrás e tive sucesso.

Finalmente em pé, percorri os olhos pelo ambiente e os pousei exatamente no porta-retrato que estava ao lado do monitor do meu computador. Senti uma flama invadir cada célula do meu corpo. Atentei para os vermes que antes me degustavam, agora torrarem. Minha visão tornou-se levemente avermelhada. Ainda encarava a foto presa naquele pedaço de vidro. Flutuei até a mesa, levei minhas mãos até o objeto, mas hesite. No entanto a ira era mais forte, então o agarrei e logo em seguida o arremessei no empilhado de tijolos e cimento. Assisti atentamente a trajetória do porta-retrato, ouvi o vidro esmigalhar-se assim que encontrou a parede e então meus joelhos não conseguiram mais me sustentar, choquei com o chão alguns segundos depois.

Um choro feroz cegou-me por algum tempo, os soluços trouxeram a angústia. Tentei falar, mas eram apenas movimentos, não havia som. Mais uma vez estava entregue aos vermes, o fogo havia se apagado. Procurei por socorro, precisava de alguém. Não, chega de mentiras! Não existe ninguém que pode me libertar dessa agonia. A memória da qual me esforçava para esquecer, retornara límpida como água cristalina, assisti novamente aquela cena. Senti a chama reacender, respirei profundamente e então outra vez em pé. Andei lentamente até os cacos do porta-retrato, agachei e peguei a foto.

- Chega de lembranças! Eu não quero mais te sentir! – disse corajosamente e para minha surpresa, agora as afirmações possuíam som, minha voz retornara.

Segurei a fotografia com a ponta dos meus dedos e os movi para direções contrárias, houve um som incomodo, mas em questão de segundos só existiam pedaços de uma lembrança em minhas mãos. Deixei que caíssem e então me pus em eixo mais uma vez, contudo não fiquei ali, segui até meu quarto e destrui outro retrato.

Nesta noite fiz algo que já deveria ter feito há muito tempo, aniquilei tudo o que me levava a este inferno particular. Sem razão e aviso, simplesmente me libertei de tudo. Ainda permaneceram memórias que me corroem, entretanto não posso retirá-las, pois são parte de mim.

Andei com frieza até o sofá e me atirei nele, a dor de tempos atrás ainda incomodava, porém agora era mais suportável. Não me permiti derramar mais lágrimas e apesar de estar na corda bamba, acrescentei uma nova palavra ao meu vocabulário. “Foi” é o vocábulo que irá iniciar todas as frases que dizem respeito a ele e aos poucos arrastarei para uma sepultura todas as recordações. É hora de sair desse inferno e seguir sem esta soledade.

♪♫♪ "Undone" – Backstreet Boys ♪♫♪

sexta-feira, 20 de maio de 2016

VULNERÁVEL


Gotas d’água colidiam contra minha pele, enquanto andava sem rumo pela rua. As lágrimas cegavam minha visão e os soluços ferozes provocavam falta de ar. Havia trocado a pessoa mais fantástica que já conheci pela chuva, sem pensar duas vezes. Agora, estava entregue a agonia, a qual feria meu coração com tanta vitalidade. Desejei voar, porém minhas asas estavam quebradas. Abracei-me na tentativa de acalmar a aflição, contudo não tive sucesso. Lutei para continuar andando, mas meus pés não obedeciam ao comando. Meus pulmões necessitavam de ar, todavia não conseguia enchê-los. Então, meus joelhos não conseguiram mais me sustentar, choquei com o chão alguns segundos depois.

- Não! Não posso te deixar aqui... – uma voz familiar proferiu, levantei o rosto para encará-lo.

Sua mão estava estendida com a palma para cima, esperando pela minha. Relutei, no entanto acabei cedendo.

- Por quê? – questionei com certa dificuldade, enquanto batalhava para me colocar em eixo.

- Se você fizesse ideia da dor que senti quando desapareceu pela porta... Não me faria essa pergunta... – confessou com uma voz confeitada de dor.

- Por quê? – inquiri, mas dessa vez a pergunta era dirigida a mim.

- Você não percebeu? – indagou confuso.

- Perceber o quê? – rebati.

- Não quero acordar desse sonho! - declarou com certa veemência.

- Nem eu! – disse e então as lágrimas misturadas com gotas de chuva rolaram pela minha face.

- Então... Porque fugir? – perguntou com certa irritação no seu tom.

- Estou com medo... – confessei e desviei o olhar.

- E não é a única... Nunca amei alguém, como te amo... – revelou.

- Então... Onde ficamos? – impugnei, enquanto voltava o olhar para ele.

- Não sei... A única certeza que tenho é de não posso te deixar ir embora... – afirmou.

- Então... Me abraça... – pedi.

- Não! Tenho uma ideia melhor... – informou.

Levou suas mãos à minha cintura, fechando o espaço entre nós. Seus olhos me analisavam, pareceu que estava à procura de algo. Minha mão direita flutuou para seu rosto molhado pela chuva, o calor da sua pele provocou uma onda de arrepios. De repente um sorriso apareceu em seu rosto, inevitavelmente sorri também. Então, seus lábios se aproximaram dos meus, hesitou, porém logo os tocou.

Nesse instante, a dor cessou. Senti minhas asas serem restauradas, finalmente poderia içar voo, mas preferi ficar. Sinceramente, ainda não sei se estou perdida ou se me encontrei, contudo não estou nem um pouco preocupada com isso. Porque agora, sei das minhas vulnerabilidades, no entanto também sei quem é a minha cura.

♪♫♪ "Vulnerable" – Vanessa Hudgens ♪♫♪

segunda-feira, 16 de maio de 2016

FÊNIX


A brisa gélida beijava minha epiderme, enquanto bagunçava os cabelos. Caminhava preguiçosamente pela rua, era mais uma manhã de outono. Observei as folhas dançarem com o vento, o sol não nasceu esta manhã, as nuvens o impediram. Era cedo, as pessoas ainda não tinham acordado. Coloquei as mãos no bolso da jaqueta, era apenas uma tentativa de me aquecer. Elevei meu rosto e observei o céu negro, ansiei que o nó na minha garganta desaparecesse, entretanto isso não aconteceria. As cores desapareceram, tudo estava tão confuso. Minha mente brincou com lembranças, momentos ganharam cor, anseios reviveram e uma dor lacerante me invadiu. Senti vontade de gritar, no entanto me contive. As lágrimas chegaram furiosamente, uma após a outra cruzavam a minha face. Apesar da visão turva, continuei caminhando.

Uma anarquia se instaurou em meu ser, certezas jogadas ao chão, sonhos destruídos, nada mais fazia sentido. Os sentimentos continuavam aqui, mas agora dopados. Não restou nada, estava destruída, tudo havia se transformado em cinzas. Abracei-me na tentativa de cessar a dor, não adiantou. A brisa tornou-se mais forte, congelando o córrego em minha face, mas nada pode fazer para acabar com a dor. Estava difícil respirar, levantei a cabeça e encarei novamente o céu. Não pude acreditar no que vi, as nuvens densas foram levadas pelo vento, enfim o sol nascera. Então, ambicionei ser uma fênix.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

ADEUS


As gotas de chuva misturavam-se com as lágrimas que corriam pelo meu rosto, enquanto soluços brotavam em minha garganta. Tropeçava, minhas pernas não tinham forças para seguir em frente. O ar estava cada vez mais rarefeito, era difícil encher os pulmões. A dor aumentava a cada segundo, os braços envolveram meu peito na tentativa de acalmar a agonia, no entanto foi tudo em vão. Então as memórias surgiram límpidas e claras, revivi as mais dolorosas lembranças. De repente alguém segurou meu braço.

- Aonde você pensa que vai? – questionou enquanto me forçava a encará-lo.

- Não sei... Apenas preciso ir... – respondi entre soluços.

- Como assim? – inquiriu confuso.

- Eu te amo, contudo não posso ficar aqui... Estou muito confusa sobre quem sou... Preciso de um tempo pra mim... Por favor, deixe-me ir... – pedi.

- Não! Isso não faz nenhum sentido... – disse com a voz confeitada de desespero.

- Me desculpe, mas não posso ficar... – revelei.

- Mas e nós? – indagou.

- Vou guardar tudo o que compartilhamos bem aqui... – afirmei apontado para o meu coração – Agora, me deixe ir... - implorei.

- Vou sentir sua falta... – confessou.

- Eu também... – jurei - Adeus! – articulei com dificuldade.

Ele apenas sorriu, então me virei e segui pela rua banhada por chuva.

domingo, 8 de maio de 2016

LOUCURA

Fonte: O Silencio das Mariposas

Balançava a taça com delicadeza, não queria derramar o líquido enrubescido. Um sorriso adornava a expressão, enquanto uma dúvida alfinetava a cabeça. Indecisão era o sentimento que a tragava. Será que devo? Indagava-se pela milésima vez, todavia sabia perfeitamente a resposta.

Suspirou, ao mesmo tempo, ponderou novamente as alternativas. Talvez... Não! Chega de dúvidas! Então, num ato recheado de certeza, elevou a taça aos lábios e degustou serenamente a loucura.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

PÉS FRIOS


Suas mãos seguraram minha cintura com tamanha delicadeza, enquanto aproximava seu rosto do meu. A respiração descompassada revelava o nervosismo, um arrepio correu pela minha espinha. O que viria a seguir? Perguntei-me, mas não fiquei cozinhando as idéias pra descobrir. Aproximou seus lábios dos meus, os olhos elevaram-se para me decifrar, contudo apenas sorri. Então, sua boca tocou a minha. Beijou-me docemente, mas logo seus lábios se tornaram urgentes. Sua mão correu pelas minhas costas, enquanto a outra me trazia pra mais perto. Separou sua boca da minha, os lábios pousaram no meu pescoço. Outra onda de arrepios passou pelo meu corpo, senti o desejo crescer.

- Me faça sua... – sussurrei no seu ouvido.

Pela minha visão periférica vi um sorriso arteiro desabrochar em sua face, enquanto mordia a minha orelha. Meus dedos flutuaram até os botões da sua camisa, coloquei um a um pra fora da casinha, então tirei o tecido do seu ombro. Sua boca logo bloqueou a minha, suas mãos passearam pelas minhas costas. Nesse instante a porta se abriu, voamos cada um para um canto, assustados.

- Oie... Só queria perguntar... – começou a falar, mas logo parou – Ah... Acho que atrapalhei alguma coisa... – disse com a voz confeitada de culpa.

- Atrapalhou... – afirmou para o irmão.

- Ok! Eu volto outra hora... – informou.

- Não! Já que começou, termina... – disse chateada.

- É bobagem... – afirmou - Desculpe ter atrapalhado... – disse e fechou a porta.

Ele me encarou com o olhar recheado de culpa, deu um sorrisinho amarelo e suspirou.

- Que balde de água fria... – afirmei.

- Esqueci de trancar a porta... – confessou.

- Acho que estamos com os pés frios... – falei e cai na risada.

- Acho que sim... – articulou entre risos.

- Quer dar uma volta por ai? – investiguei.

- É uma excelente ideia... Quem sabe não aquecemos nossos pés... – ponderou com ares divertidos.

- Mas antes... – proferi - Me beija? – pedi.

Ele apenas sorriu aquele sorriso travesso e me beijou.



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