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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

XEQUE-MATE


Fechei a porta, encostei-me nela e escorreguei até o chão. Por que te deixei ir sem dizer-lhe uma única palavra? Questionei-me. Mais uma noite se passou e nenhum vocábulo saiu de meus lábios. Uma irritação tomou conta do meu ser de tal modo que não consegui continuar ali, levantei e cursei rumo ao banheiro. Adentrei o cômodo com a intenção de esfriar a cuca, afinal só um banho de água fria poderia apagar a flama. Abri o registro e observei a água, o som das gotículas se chocando com o piso gélido me trouxe uma impressão de calmaria, porém foi apenas impressão. Despi-me vagarosamente e então caminhei até o chuveiro, a água gelada me fez recuar, mas tão logo entrei de cabeça. O líquido transparente correu pelo corpo com rapidez, em poucos segundos estava encharcada. Elevei a face, de modo a encarar o chuveiro. Durante alguns minutos permaneci naquela posição, no entanto logo voltei o rosto para frente, abri os olhos e pus a mão no registro, o fechei segundos depois. Agarrei a toalha e a passei sobre a pele molhada. Enrolei o tecido felpudo ao redor do corpo e saí dali.

Já no quarto desenrolei-me e joguei a toalha na cama. Caminhei até o armário e retirei o pijama da gaveta, vesti e em seguida me atirei na cama. Tentei com todas as minhas forças pegar no sono, entretanto sem sucesso. O relógio estava parado em lembranças sobre você e eu.

- Aaaahhhh... – gritei e afundei o rosto no travesseiro.

Sou uma covarde, conclui depois de horas. Porque não pego o telefone e disco os tão temidos números? Indaguei-me. Estou caminhando na beirada do abismo a tempos, todavia não consigo pular. Continuo vivendo pela metade, não consigo expor meus sentimentos. Virei bruscamente na cama, apenas mais uma tentativa de retirar esses pensamentos da minha cabeça, não funcionou. Teria que enfrentar os fantasmas, ou não conseguiria dormir. Alcancei o telefone no criado mudo e disquei.

- Alô? – uma voz grave disse do outro lado.

- Felipe? – balbuciei com receio.

- Sim! Quem fala? – investigou.

- É a Lara... – informei - Tem um minuto? – averigüei.

- Oi, Lara! Claro! Pode falar... – cientificou.

Respirei fundo – Desculpe ligar agora... Mas não posso esperar... Há uma coisa que preciso lhe dizer antes do dia nascer... – espirei – Eu amo você! Sei que é loucura... Não deveria, mas amo... Perdoe o mau jeito... Mas essa é a única maneira de lhe dizer o que sinto por ti... – desabafei e então antes de ouvir sua resposta bati o telefone.

Joguei uma partida de xadrez com um adversário assustador, todavia esta noite dei o xeque-mate, venci. Contudo, sem querer iniciei outra partida, mas dessa vez com a curiosidade. O que ele teria respondido? Questão que me atormentou até a inconsciência me abraçar.

Imagem: Blog Cidadão

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