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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

MALDITA MANIA


O celular rugiu pela enésima vez naquela tarde, apenas o fitei como das outras vezes enquanto elevava o volume do meu Ipod. Havia apenas soluços, nada de lágrimas, ainda. Agarrei os travesseiros e deixei que a música me preenchesse, logo lá estavam elas, as gotas quentes rolaram do meu rosto e pingaram no monte de espuma. Enfim, a dor me preencheu. Trouxe os joelhos para o peito numa tentativa infrutífera de aplacar a dor.

Meus pensamentos rodavam e rodavam e nem mesmo a música alta pode silenciá-los. A loucura me embebia com tamanha facilidade, quando me dei conta de como estava submersa, forcei meu corpo para fora da cama e saí o mais depressa possível pela porta. Quando dei por mim, meus pés perseguiam as escadas do condomínio tão rápido que foi difícil parar. Sem demora estava do lado de fora do prédio, correndo a passos vacilantes pela calçada. Um garoto me encarou por alguns segundos, seus olhos estavam arregalados demais. Concluí que estava uma bagunça, mas no momento isso pouco me importava.

Durante meu caminho, ouvi uma ou duas buzinas, porém não parei. Cheguei ao parque cerca de alguns minutos depois e peregrinei rumo a nossa árvore. Desabei no chão, minhas mãos tocaram a grama seca e então tudo ficou fora de controle, lágrimas furiosas pulavam dos meus olhos, enquanto soluços abafavam minha respiração.

Perdi a noção do tempo, até que a chuva começou a cair. Nesse instante, percebi passos em minha direção e me forcei a ver quem era. Seu rosto estava banhado pela água da chuva, a camiseta branca colada ao corpo, seus jeans e tênis definitivamente encharcados, mas seus olhos estavam quentes como fogo. Reconheci o sentimento neles, forcei meus olhos para longe dos dele numa tentativa de esconder o que havia nos meus próprios. Ele se aproximou e sentou ao meu lado, tentou me fitar algumas vezes, mas eu não deixei.

Quando? Como? Por quê? – balbuciei num sussurro.

Por que você sempre foge? – sua voz era plana e calma, como uma adaga sendo enterrada no meu peito.

Eu não posso fazer isso! – guinchei afundado o rosto em minhas mãos.

Fazer o que? Me amar? É disso que você tem medo? Cinthia... Eu não posso conviver com isso! – a raiva pingava de seus lábios.

Rodrigo... Não é isso! – falei num resmungo e pela primeira vez me forcei a encarar seus olhos.

Ele aproximou seu rosto do meu, sua respiração quente desencadeou uma fila de arrepios pelo meu corpo. A chuva continuava a cair, entretanto isso não nos incomodava. Seus olhos me avaliavam com tamanha destreza, enquanto sua mão vinha ao encontro do meu rosto. Me derreti ao seu toque doce e aquecido, ele era minha aniquilação, isso era um fato que eu não poderia negar.

Pare de fugir... Eu quero cuidar de você, proteger você, amar você... Para sempre! – suas palavras eram envolventes e dolorosas.

Abri minha boca, porém a fechei segundos depois. Permaneci olhando fundo em seus olhos, procurando uma resposta, contudo minha mente tinha uma única vontade. Num suspiro, fechei os olhos e esmaguei minha boca na dele.

Essa era a minha maldita mania, trocar palavras por atos.

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