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domingo, 17 de janeiro de 2016

DELIBERAÇÕES


Apoiei os cotovelos no balcão do bar e sinalizei para o barman mais uma dose de tequila, o homem apenas balançou a cabeça e saiu para providenciar meu pedido. Enquanto esperava, comecei a girar o pequeno copo entre os meus dedos e o tampo de madeira. Então, aquelas malditas perguntas voltaram para mim. Eu não queria pensar, por isso estava bebendo. Mas, meu cérebro ainda não estava amortecido o suficiente pelo álcool. Suspirei de descontentamento, quando compreendi que teria que beber muito ainda.

Antes que você comece a tirar conclusões precipitadas... Não! Eu não sou o tipo de garota que afoga suas mágoas em doses e afins. Porém, a funesta lembrança daquela conversa entre... Não, não e não! Nada de ficar pensando nele! Ele fez a escolha dele, você fez a sua. Bola pra frente!

O barman enfim pousou minha terceira, quarta dose?! Tanto faz! O que importava era que a dose de tequila estava aqui, pronta para se juntar as demais no fundo do meu estômago. Meus dedos abraçaram o vidro com a dose, estava pronta para sorver o liquido quando uma mão com dedos longos tocou meu pulso. Instantaneamente, virei o rosto para encarar o rapaz que me fez brecar.

Eu não faria isso, se fosse você. – o aviso no seu tom era tão nítido, contudo eu não estava me importando com nada além do amortecimento da minha razão.

Mas, você não é! – minhas palavras teimosas o fizeram sorrir.

Touché! – concordou e seu sorriso ampliou.

Puxei os lábios em um sorriso desafiador e voltei a virar a dose. Mas, por algum motivo, não consegui beber o líquido. Então, abaixei minha bebida e voltei a olhar para aqueles olhos escuros.

Boa escolha! – falou com alegria antes de pedir ao barman uma rodada de drinks sem álcool.

Olha... – eu tentei argumentar, juro que tentei, mas os vocábulos ficaram presos na minha garganta.

Sem explicações, complicações e afins... Hoje seremos apenas o Sr. e a Srta. Zé Ninguém. – explicou antes de alcançar as bebidas que o barman já tinha pousado sobre o balcão.

Tudo bem. – concordei e segurei a bebida que ele me entregava.

Então, elevei-a aos lábios e engoli o liquido azul sem qualquer gota de álcool, ele fez o mesmo. Porém, seus olhos nunca deixaram os meus. Sem perceber, colori os lábios com um sorriso. Definitivamente, esse jogo parecia bom. Aliás, muito mais do que bom.

Por que não saímos daqui? – sugeriu alguns minutos depois.

Isso soa como uma escolha arriscada... – argumentei e tomei mais um pouco do meu drink.

Você está com medo? – seus olhos se estreitaram tanto que mal podia ver a cor deles.

Você está? – devolvi sua pergunta com um sorriso travesso.

Hummm... Vejo que encontrei outra jogadora. – concluiu e pousou seu copo vazio no balcão.

Talvez... – falei enquanto meu sorriso se amplificava.

Hora de sair daqui, baby! – decidiu e antes que eu pudesse rebater, ele já estava me rebocando para fora do bar.

Quando chegamos à rua, meus olhos percorreram o perímetro em busca de algo, alguém. Eu o encontrei cerca de trinta segundos depois, ele ainda estava encostado em sua moto, provavelmente pensando na próxima mentira que contaria para mim. Bem... Eu acho que ele não terá tanta sorte hoje.

Brequei na calçada para forçar o estranho do bar a me encarar, quando o fez, me aproximei dele com várias promessas veladas. Meus pés se colocaram um após o outro até que estava a centímetros dele, meu corpo roçava no seu. Eu sabia exatamente o que ele esperava dessa noite...

Então, sem um grama de peso na consciência, subi para a ponta dos pés e encostei meus lábios nos dele. Imediatamente, ele correspondeu com um beijo de tirar o fôlego. Meus braços subiram para seus ombros, depois fecharam em volta do seu pescoço, enquanto ele agarrava minha cintura.

O som da moto sendo ligada atingiu meus ouvidos algum tempo depois. Ah! Satisfação correu pelas minhas veias enquanto me separava dos lábios do Sr. Zé Ninguém.

Me leve daqui, por favor. – implorei enquanto seus olhos me analisavam.

Tem certeza? – seu questionamento me fez voltar momentaneamente os olhos para o outro lado da rua. Foi tão rápido que ele nem notou.

Respirei fundo, antes de reunir toda a coragem dentro de mim para lhe responder:

Sim! Eu tenho certeza.

Sem maiores delongas, saímos rumo ao seu carro. Oh! Não me olhe assim! Eu sei exatamente o que estou fazendo... Ou pelo menos, penso que sei.

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